Lemos | X-Men: Equipe Vermelha

Confira nossa análise completa da hq da Editora Panini

Os X-Men estão entre os personagens favoritos do fandom geek, além do público regular, graças a popularização dos personagens pelos filmes. Dito isso, desde a sua estreia em The X-Men #1 de 1963, pelas mãos talentosas de Stan Lee e Jack Kirby, é inevitável a repetição e/ou falta de idéias em suas hqs. Felizmente ainda surgem alguns momentos brilhantes por criadores que conseguem pensar fora da caixa, como em X-Men – Equipe Vermelha. A cor do subtítulo faz menção as publicações irmãs X-Men – Equipe Azul e X-Men Equipe Dourada. Estas últimas também são uma homenagem as equipes incríveis que estiveram ativas nos anos 90. Mas vamos focar na Equipe Vermelha. A análise a seguir não tem spoilers graves, mas é impossível comentar e despertar o interesse deste material incrível, sem revelar alguns detalhes da trama. Mas nada que estrague a experiência ou surpresas da história. A história dos dois encadernados lançados por aqui pela Panini se passam após os eventos da Ressurreição de Jean Grey. A personagem havia sido morta na passagem de Grant Morrison pelo título, ou seja ela permaneceu morta por quase 10 anos. Quando Jean se vê finalmente livre da entidade Fênix, ela se vê perdida em um mundo que não reconhece. Um mundo polarizado e ainda mais dominado por diversas formas de preconceito. A premissa, relativamente simples, é perfeita para uma história dos X-Men, que sempre lutaram por sua aceitação na sociedade. Mas aí entra o talento do escritor Tom Taylor. Tom já atuou como roteirista em diversos trabalhos na Marvel e na DC Comics dignos de palmas. O seu estilo, é considerado por alguns um arroz com feijão, mas é aquele arroz com feijão que você quer repetir, e com gosto. Nos atendo à análise da presente obra, ele teve não só a brilhante sacada de trazer a trama ao panorama sócio político atual, mas também não se prender somente à batalhas cansativas entre os X-Men e seus inimigos. Claro, que há um grande inimigo, no caso Cassandra Nova, irmã gêmea do Professor Xavier, mas não é o foco da história.

Aqui vale um parentêse para os que estão perdidos na cronologia ou nunca leram as hqs dos X-Men antes. A personagem também foi introduzida durante a passagem de Morrison no título. Ela seria uma gêmea que foi morta pelo Professor X na sua gestação, enforcada pelo cordão umbilical. Como nada é simples nos quadrinhos, na verdade, Cassandra é uma mummudrai, uma forma de vida parasítica que nasce sem corpo no plano astral, ambiente da Marvel que os telepatas tem acesso. Isso garantiu à personagem poderes psíquicos, incluindo a habilidade de deixar o útero e criar seu próprio corpo. Desde então ela vem infernizando a vida do seu irmão e dos X-Men. Mas como eu disse este não é o foco. Após ficar chocada com o mundo mudado como está, Jean tem uma idéia, criar uma nação mutante para seus irmãos mutantes. Isso também não seria novidade para quem acompanha as hqs dos mutantes. No entanto, Jean se dirige às Nações Unidas para reconhecimento dos mutantes como Nação. E para isso ela pede apoio aos heróis Pantera Negra, soberano de Wakanda e Namor, que também é mutante, soberano da Atlântida. Como ambos tem representação na ONU eles votam a favor. Neste ponto, que é só o começo da história, já se destaca o talento de Taylor. Jean tem essa idéia reunindo grandes pensadores da humanidade e acessa suas mentes para buscar algo novo, que ainda não tinha sido feito pelo Professor Xavier.

A reunião da equipe é outro ponto alto e uma escolha acertada do autor. Primeiro, Noturno, da velha guarda como Jean, e que sempre foi considerado o coração dos X-Men. Pela sua intimidade com a telepata, ela o procura e após apresentar sua idéia, a o mutante alemão aceita imediatamente. Depois reunem-se a eles Gambit e Tempestade, também da velha guarda, que entram nessa pela idéia e amizade, e os novatos. São eles as “irmãs”, na verdade clones de Wolverine, Laura e Gabby Kinney. Nas hqs do arco elas atuam sob os codinomes de Wolverine e Honeybadger, respectivamente. A primeira já é conhecida inclusive do público do cinema, no filme Logan. Nos quadrinhos ela assumiu o manto, após a morte de Wolverine durante um tempo. Basicamente ela tem os mesmos poderes de Logan. A segunda também tem garras, de osso, e é insensível à dor, e por ser mais nova tem a personalidade empolgada de uma adolescente em meio a lendária equipe. Depois temos, Gentil, Nezhno Abidemi, um mutante que tem poder de ampliar sua massa muscular, mas sente dor no processo. E por último, mas de forma alguma, menos importante, está Trinária, uma tecnopata, que se junta à equipe durante o primeiro volume. Tecnopata é aquele que tem a capacidade de se comunicar com qualquer dispositivo tecnológico, desde smartphones e computadores, acessando todo seu conteúdo, até coisas mais simples, como portões eletrônicos, além de alguns dos componentes da trama que prefiro não revelar para não estragar a experiência da leitura. Também faz parte da equipe como membro de suporte Namor, que abriga os irmãos mutantes na nação da Atlântida, além de outros papéis que vão aparecendo durante a história. E claro, que não poderíamos deixar de falar da arte de Mahmud Asrar, durante o primeiro volume e Carmen Carnero durante grande parte do segundo. Se juntam a eles Paschal Alixe, que ilustra a edição anual, que foi colocada no começo do primeiro volume e Rogê Antônio nas três últimas histórias do arco. Sobre a história do anual, vale citar que é uma prática comum nos EUA e que a Panini teve a ótima decisão editorial de incluir antes dos onze números regulares, já que explica justamente os eventos da formação da equipe. Todos artistas são ótimos na minha opinião e tem estilos, que mesmo levemente diferentes, não distoam muito. Os designs dos trajes estão bem bacanas, principalmente no momento que eles vestem trajes como uma equipe já no final do primeiro volume, como você confere acima no traço de Arsar. O traje de Jean e Gambit me chamam pessoalmente a atenção pois remetem à clássica animação dos anos 90 dos X-Men, inesquecível. E é isso. Como prometido não vou entrar em detalhes da trama, mas só reforçando a idéia, ela é bem atual e relevante para os dias atuais. Além disso, mesmo quem nunca leu X-Men pode comprar estes dois encadernados pois a trama tem começo, meio e fim e é auto contida, sem ser extremamente dependente da cronologia complicada dos personagens. Eu mesmo andava afastado dos X-Men, que estão entre meus favoritos por conta disso. Infelizmente o primeiro encontra-se esgotado, mas dá para achar nos sebos e o segundo ainda está nas bancas. E é isso. Termino minha análise recomendando fortemente que os fãs dos X-Men, ou aqueles que querem conhecer as hqs enquanto eles não chegam ao Universo Cinematográfico da Marvel. Fiquem ligados para mais novidades sobre quadrinhos, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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