Lemos | Pantera Negra: Uma Nação sob nossos pés da Panini

Aproveitando o sucesso do filme do Pantera confira nossa análise sobre umas melhores hqs do personagem

O ano mal começou e a Marvel já nos brindou com um dos melhores filmes em seus 10 anos de universo cinematográfico. Mas hoje nosso assunto não é o maravilhoso longa, cuja crítica já fizemos aqui e sim um pouco sobre seus quadrinhos. Mas não vamos simplesmente fazer estas listas óbvias que tem em tudo que é site por aí, inclusive no site oficial da editora, que você pode acessar aqui. Nós vamos focar neste arco e fase atual do personagem que na minha opinião é uma das melhores já produzidas pela Casa das Idéias e claro trazer alguns paralelos com o longa. O personagem Pantera Negra foi criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby.

Mas no começo T’Challa não tinha título próprio e estreou na revista do Quarteto Fantástico, mais precisamento no número 52. Depois o personagem passou a revista Jungle Action até 1979 e só ganhou uma minissérie própria intitulada Black Panther em 4 partes em 1988, além de participações nos Vingadores. No começo o personagem não utilizava o nome próprio para evitar conflitos com os Panteras Negras, movimento político-social que acontecia na época a favor dos afrodescendentes nos EUA. Por fim, Stan Lee esclareceu a questão e o nome acabou pegando. Enfim, só um pouco de história. De lá para cá o personagem, assim como todos da editora, já passou por diversas mudanças e equipes criativas. A fase atual escrita por Ta-Nehisi Coates e ilustrada inicialmente por Brian Stelfreeze retoma a cultura africana e o rico universo de Wakanda, que acabou sendo deixado um pouco de lado em algumas fases. Ambos autores são afrodescendentes, sendo que o pai de Coates foi inclusive membro dos mencionados Panteras Negras, o que despertou a  sua consciência quanto as questões raciais desde garoto. Mas o autor e claro a editora não traz uma hq política focada nestes elementos, que foram brilhantemente colocados no filme, e sim nos conflitos internos do personagem e sua relação com sua nação, daí o nome do arco inicial. Um fato interessante é que também existe um livro com esse nome que trata dos afrodescendentes americanos desde a escravatura até tempos mais recentes em um contexto político social. O livro é mencionado brevemente na hq.

E do que se trata a história? Em eventos anteriores deste arco, a irmã de T’Challa, Shuri foi morta em uma invasão de Thanos e sua Ordem Negra (opa, será que veremos isso em Guerra Infinita? Aguardem) à Wakanda. O país também havia sofrido um ataque pelo Doutor Destino e outros. Assim, no momento que começa a história o Pantera deve reconstruir a confiança dos wakandanos em seu rei, tentar ressuscitar sua irmã utilizando a sua ciência e tecnologia e também enfrentar seus próprios demônios internos. Além disso, ele acaba em um conflito de uma Guerra Civil iminente em diferentes frentes. De um lado Ayo e Aneka, membros da Dora Milaje, sua guarda real se rebelaram por amor e pelos conflitos internos do país. De outro temos Tetu, um xamã que acredita que o povo deve reinar e que o rei está corrompido. Ele cria um movimento chamado O Povo e usa as habilidades de Zenzi para auxilia-lo. A mulher tem poderes mentais que trazem à tona as emoções mais profundas de seus alvos. Claro que os métodos de Tetu acabam sendo extremistas e o “bem” almejado tem muitas mortes em seu caminho. Outro personagem importante é Changamire, um filósofo wakandano que tem ligações com a madrasta de T’challa, Ramonda e que também foi professor de Tetu. A partir daí desenvolvem-se conflitos políticos entre estas três frentes que acabam levando inevitavelmente a um princípio de Guerra Civil. Mas como disse anteriormente não é somente este aspecto que é focado na história, mas sim a mitologia de Wakanda. O aspecto cultural/mitológico é inserido através de Shuri cujo espírito se encontra em Djalia, um plano transcendental em que vive a memória do povo do país. Essa trama ocorre em paralelo à Guerra e é belíssima. Um espírito griot, indivíduo da cultura africana responsável por transmitir as histórias assume a forma de Ramonda. Junto com Shuri ela embarca em uma jornada de autoconhecimento da personagem através de histórias dos wakandanos com metáforas sobre a vida com temas como a responsabilidade de um rei com seu povo, o sentido da vida, entre outros. Nos quadrinhos Shuri era a rainha de Wakanda e Pantera Negra antes de sua morte. Esse é um dos motivos da insegurança de T’Challa em voltar a ser rei. Ela também já é mais velha que a adolescente apresentada nos filmes.

Acho que basicamente seria isso. A partir daí temos muita ação, uma arte belíssima e um roteiro bem elaborado, ao contrário de muitos que a Marvel tem publicado que deixam bastante a desejar. Me estender mais sobre o roteiro seria estragar a diversão de nosso leitor. O que posso dizer é que é uma história envolvente, com uma arte belíssima e um texto que ainda que bem elaborado não é enfadonho em nenhum momento. Também traz alguns paralelos interessantes ao filme, como o visual com o uniforme que absorve energia cinética e a reflete, algumas aeronaves e tecnologia e um inimigo extremista. A história se estendeu dos números 1 a 12 de Black Panther lá fora e depois foi compilada em 3 encadernados. A Panini seguiu este formato e as 3 edições chegam por aqui com capa dura, papel couché e extras muito bacanas. Na primeira edição temos uma história extra com a primeira aparição do personagem. Na segunda temos como histórias extras A Fúria do Pantera, partes 1 e 2 em que temos o confronto de T’Challa com Killmonger, inimigo do filme. Na terceira temos uma história dos Vingadores em um momento crítico na época que Shuri ainda era Pantera Negra e da invasão do exército de Thanos à Wakanda. Também trás as capas originais, esboços, entre outros. Vale a pena conhecer uma das melhores histórias em quadrinhos do personagem aproveitando a hype do filme. Ainda que seja uma história intrincada na cronologia, é possível ler tranquilamente sem nenhum conhecimento prévio. Palavra de quem tinha lido as histórias do Pantera lá atrás na década de 80 e não tinha mais acompanhado o personagem.

Pantera Negra – Uma nação sob nossos pés – Volume 1

Formato americano, papel couché, 152 páginas, R$ 29,90

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Pantera Negra – Uma nação sob nossos pés – Volume 2

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Pantera Negra – Uma nação sob nossos pés – Volume 3

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Felipe

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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