Jack Kirby e seus Superamigos

Esse ano muito se falou de Jack “The King” Kirby. Inclusive ele foi um dos homenageados na CCXP 2017. O GamePlayRJ traz um pouco da carreira deste grande criador dos quadrinhos

Em 28 de agosto deste ano, Jack Kirby, cujo nome verdadeiro era Jacob Kurtzberg faria 100 anos se estivesse entre nós. Além de um exímio desenhista e escritor, também foi editor e é considerado um dos mais influentes artistas de nosso tempo. Nascido na cidade de Nova York, começou a desenvolver o traço influenciado por tirinhas e artes editoriais de jornais. A sua estréia na indústria dos quadrinhos aconteceu nos anos 1930, desenhando vários quadrinhos sob outros nomes como Jack Curtiss, antes de se estabelecer sob seu pseudônimo definitivo. Em 1940 ele já começava a estabelecer o sucesso de suas criações quando criou com Joe Simon o personagem Capitão América para a Timely Comics, que se tornaria a Marvel Comics. Ainda durante esta década ele criou outros personagens não só para a Timely como para a National Comics Publications, futuramente DC Comics. Nessa época ele criou a Legião Jovem, o Caçador, o Comando Juvenil e repaginou o Sandman (não o de Neil Gaiman, o seu antecessor, mas “super heroico” e menos místico), todos com seu já parceiro Simon. A seguir Jack, assim como outros jovens americanos, teve que lutar na Segunda Guerra Mundial. Felizmente Jack voltou são e salvo e publicou em várias editoras menores, criou a sua própria, Mainline Publications, que não durou muito. Nos anos 50, participou da transição da Timely para Atlas e finalmente Marvel. Nesta época criou outros personagens Desafiadores do Desconhecido para a DC e trabalhou no Arqueiro Verde.  Na década de 60, junto com outro gênio dos quadrinhos, Stan Lee, criaram o Quarteto Fantástico, os X-Men e o Incrível Hulk, todos ícones da Marvel até hoje. A parceria Lee-Kirby também rendeu outros personagens da editora como Thor, Homem de Ferro, Dr. Destino, O Vigia Uatu, Magneto, Ego – o Planeta Vivo, Inumanos, Pantera Negra, Vingadores, Namor e Ka-zar. É muita coisa galera! E não para aí não. Essa parceria rendeu aquela que é considerada uma das melhores histórias de heróis, e também uma das melhoras do Quarteto Fantástico: A chegada de Galactus, história em 3 capítulos, que trouxe não só o devorador de mundos, mas também o Surfista Prateado. Também dizem que desenhou a primeira história do Homem Aranha para Amazing Fantasy 15, mas Stan Lee preferiu a arte Steve Ditko.

Uma história que faz sentido, já que após quase uma década fiel à Casa das Idéias, e se considerando pouco reconhecido nos créditos e direitos autorais, deixou a Marvel e estabeleceu-se de vez na DC. Na década de 70 Kirby criou O Quarto Mundo, que incluía Os Novos Deuses (que são personagens relacionados ao Darkseid, um dos grandes vilões da DC, nos quadrinhos. Mas isso é uma longa história, que fica para outra vez), Senhor Milagre (também “parente” do Darkseid, que está em uma minissérie sensacional escrita pelo Tom King do Batman atualmente) o Povo da Eternidade. Também criou uma hq do Jimmy Olsen, Superman’s Pal Jimmy Olsen e os personagens OMAC (que deram as caras repaginados na época da Crise Final de Grant Morrison), Kamandi, The Demon, e Kobra (esse que atualmente tem aparecido nas histórias do Flash). No final da década de 70 ele voltou a Marvel mais uma vez nos brindando com Eternos (que repaginados ganhariam uma mini pelo Neil Gaiman e que tem dado as caras no universo do cinema e das séries), certamente por influência do seu aprendizado com personagens cósmicos na DC. Também teve mais Pantera Negra e a criação do Homem Máquina (que é um dos personagens centrais de Terra X, a concorrente de Reino do Amanhã da DC).

Ainda insatisfeito com a Marvel, Kirby trabalhou com animações clássicas da Hanna Barbera como Thundarr, o Bárbaro; Turbo Teen (no Brasil, Turboman) e na animação do Quarteto Fantástico da época. Na década de 80, voltou a DC para concluir sua saga do Quarto Mundo e trabalhar em duas minisséries chamadas Super Powers, que vamos falar mais um pouco dela no final desse texto. Kirby passou os últimos anos de sua vida em disputas por direitos autorais com a Marvel, onde a Casa das Ideias, infelizmente acabou se dando bem e reteu boa parte dos direitos. Felizmente, Kirby tinha direitos por personagens próprios, além do reconhecimento pel DC. Em 6 de Fevereiro de 1994, Kirby faleceu aos 76 anos em Thousand Oaks, California. Assim, Kirby deixou além deste enorme legado em termos de criações, uma influência no mundo dos quadrinhos em seu estilo artístico e de roteiro. Aproveitando o seu centenário a Panini lançou Lendas, mega crossover cujo vilão principal é Darkseid, que deveria mesmo ter dado as caras no filme da Liga da Justiça. Vamos torcer que isso seja corrigido, mas o timing seria perfeito. Só que nessa história o roteiro fica por conta de John Byrne, outro grande nome dos quadrinhos. Mais recentemente a editora lançou a já mencionada minissérie Super Powers. Agradecemos a Panini que gentilmente nos enviou o primeiro, de dois volumes, de Super Powers para análise. Super Powers foi criada inicialmente para os colecionadores de uma linha de action figures de 1984, que não conheciam os quadrinhos da DC. Ou seja, os caras queriam ganhar mais dinheiro, já que a DC comprou a companhia que os fabricava, a Kenner. A linha eram os heróis e vilões da DC, Superman, Batman e Robin, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Flash, Aquaman e Homem Gavião. No lado dos vilões, Lex Luthor, Coringa, Pinguim, Brainiac, Cheetah, e claro Darkseid. Depois viriam mais outros como Nuclear, Cyborg e outros Novos Deuses e claro novos bonecos. Também rendeu duas séries de animações Super Friends: The Legendary Super Powers Show (com 8 episódios) e The Super Powers Team: Galactic Guardians (com 10 episódios). Por aqui chegaram alguns episódios no que ficou conhecido para quem viveu essa época apenas como Superamigos. Os bonecos também chegaram e eram sonho de consumo da criançada. Hoje eles podem ser encontrados no Ebay e também rolaram remakes dessa linha.

No entanto como tudo que tinha o “toque de Midas” de Kirby, temos histórias que são extremamente bem divertidas, bem escritas (com colaboração de Joey Cavalieri) e com a arte com seu estilo marcante (com colaboração de Adrian Gonzales). No momento que comecei a ler a edição, bateu imediatamente a nostalgia do tempo que assistia a animação na TV. O velho e bom confronto do Bem contra o Mal, sem complicações de mega crossovers, cronologia intrincada, etc. A história começa ao final de uma batalha de gladiadores, promovida por Darkseid, soberano de Apokolips. Aos seus campeões ele concede poderes especiais para que eles se tornem seus emissários e expandam seu domínio. Lógico que ele tem como foco uma invasão a Terra. Os campeões em um belo estratagema para facilitar sua vida, contatam os supervilões, Lex Luthor, Coringa, Pinguim e Brainiac para promover a conquista. A partir daí é diversão pura, incluindo Aquaman falando com os peixes, Batman e Robin com seus bat-apetrechos e Superman para o Alto e Avante. Também participam da história nesse primeiro número, o Homem Gavião, Lanterna Verde e a Mulher Maravilha. Se você não viveu esta época como eu, certamente vai curtir, principalmente com a hype do filme da Liga da Justiça entre nós. O primeiro volume tem uma conclusão da história, ainda que deixe uma ponta para continuação. Imperdível para conhecer mais sobre o trabalho desse grande gênio dos quadrinhos ou mesmo para ler uma boa história, fechada e sem precisar saber tudo o que rolou antes daquele momento.

Dados das edições

Lendas do Universo DC – Jack Kirby – Super Powers volume 1

Capa cartão, papel offset, lombada quadrada, 132 páginas, R$ 21,90.

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Lendas do Universo DC – Jack Kirby – Super Powers volume 2

Capa cartão, papel offset, lombada quadrada, 132 páginas, R$ 25,90.

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Felipe

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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