Clássicos dos Quadrinhos: Reino do Amanhã

Nesta edição de clássicos dos quadrinhos, conheça Reino do Amanhã e os detalhes da lindíssima edição definitiva que a Panini trouxe para o Brasil

Os multiversos e realidades alternativas já não são novidades nos quadrinhos faz tempo. Isto não é diferente na DC Comics que publica histórias na linha conhecida como Elseworlds, que traz histórias fora do cânone oficial. Este selo surgiu em 1989, mas as histórias já existem desde 1942, onde levavam o nome de Imaginary Stories (Histórias Imaginárias). E diferente da rival Marvel, que tem a linha What if? (O que aconteceria que? no Brasil), as histórias da DC são normalmente fechadas e não divergem necessariamente a partir de um ponto do cânone. Assim, os criadores realmente tem liberdade para fazerem praticamente o que quiserem com os personagens, salvo proibição da editora.

Apenas um pouco de história para introduzir aquela que eu considero uma das melhores histórias dessa linha e também de todos os tempos: O Reino do Amanhã. Lançado em 1996 nos EUA em 4 edições, a minissérie chegou no Brasil um ano depois pela Editora Abril mantendo o mesmo formato. Depois ganhou uma edição encadernada pela própria Abril em 1998 e um encadernado mais simples pela Panini em 2004. A edição definitiva chegou por aqui em 2013. Eu já tinha as 4 edições da Abril e adorava a história, mas quando a Panini nos enviou gentilmente a edição para apreciação foi como se a estivesse lendo pela primeira vez. Mas vamos falar mais da edição depois e focar na história. Escrito por Mark Waid e magistralmente ilustrada por Alex Ross, O Reino do Amanhã se passa em um futuro não muito distante, onde os meta humanos, como são conhecidas as pessoas com superpoderes na DC, não são mais uma pequena parcela da população. Pelo contrário, existe um excesso deles que passam seus dias batalhando entre si, sendo que existe pouca distinção entre heróis e vilões. E por onde andam os heróis de outrora, que já conhecemos? Aposentados em sua maioria e não vou entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência do leitor, já que faz parte do contexto da trama em alguns momentos. Bem, eis que um dos novatos, Magog, um dos precursores da nova geração de meta humanos, se envolve em uma batalha com o clássico vilão do Superman, o Parasita. Como efeito colateral o Capitão Átomo, da equipe de Magog, acaba explodindo e liberando uma grande quantidade de energia nuclear que leva a morte de milhões, bem como grande parte das plantações dos EUA. Isso leva os heróis a saírem de seus retiros e se formam duas frentes: uma liderada pela Mulher Maravilha, que convence o Superman a deixar seu refugio, além de convocar outros, novos e veteranos, e outra pelo Batman, que nunca deixou a sua Guerra ao Crime acabar e também convoca uma equipe. No meio disso temos Lex Luthor que cria a Frente de Libertação da Humanidade, que também inclui outros vilões clássicos como a Mulher Gato, o Charada e Vandal Savage, além de alguns da nova geração. Dizer mais do que isso realmente seria spoiler e mais uma vez recomendo que o nosso leitor a ver com seus próprios olhos esta história única.Mas vale destacar algumas  das questões que tornam a história diferenciada. Um destes pontos é a narração da história pelo visão do Pastor Norman McCay, que é convocado pelo Espectro, personagem místico da editora, para observar sem interferir os eventos que estão acontecendo. Isso acaba dando um tom de divindade para os meta humanos, que ao meu ver, já são assim considerados na DC, em contrapartida ao lado humanizado da Marvel. Aliás, o próprio título original, Kingdom Come, é uma alusão a religião, que seria a tradução do “Vem a nós o vosso reino” da oração Pai Nosso. O personagem do pastor foi baseado no pai de Alex Ross, Clark Norman Ross, que é ministro da igreja protestante, dá o seu depoimento sobre a história em um dos vários extras da edição. Fora o título existem referências a vários trechos da Bíblia, como o Livro das Revelações, Apocalipse entre outros. Também vale destacar o cenário da época dos quadrinhos, onde a Image Comics estava em plena ascensão, em uma época que prezou muito o visual das hqs, em detrimento muitas vezes do roteiro. A criação do personagem Magog reflete claramente estes dois pontos, já que Magog e Gog são personagens bíblicos e o visual do personagem foi inspirado no personagem Cable da Marvel. Ícone da década de 90 criado por Rob Liefeld, Cable é um ótimo exemplo do cenário dos quadrinhos da época desde a sua concepção, até suas histórias. Também reflete a “qualidade” dos roteiros onde tiros, explosões e cenas de ação eram o foco, ao invés de toda ideologia bem estabelecida dos X-Men nos anos 80, pelo mestre John Byrne. Se acham que estou exagerando deem uma olhada nas artes e histórias dessa época de Cable e sua X-Force, que me recuso a colocar aqui pois seria uma ofensa a história que estamos analisando. Voltando ao que interessa, vamos falar da arte de Alex Ross, que é um show a parte. Para quem não conhece o trabalho do artista ele utiliza traços realísticos em sua arte, utilizando como base modelos ou personalidades (além do papai neste caso), em páginas que são, longe de exagero, verdadeiras obras de arte. O artista já havia feito um lindo trabalho semelhante deste universo dos super heróis em Marvels, que tem uma outra pegada, com o foco no deslumbre que estes seres causam aos olhos das pessoas comuns. De repente qualquer hora falamos dela por aqui.

E a edição da Panini? Sensacional? Maravilhosa? É pouco. É realmente uma Edição Definitiva. Daquelas de guardar na estante, ler e reler, impressionar seus amiguinhos nerds. Para começar, temos capa dura (em mais uma ilustração lindíssima do Alex Ross) e o papel couché. Até aí, a maioria das edições da Panini de capa dura traz isso. O que chama realmente a atenção são as mais de 120 páginas de extras. Isso mesmo. É praticamente um encadernado destes que saem com frequência, só de extras! Antes da seção dos extras propriamente ditos, a edição traz um epílogo da história, que é sensacional e não estava presente quando a história foi lançada pela Abril. Daí começam os extras em si. Pessoalmente o primeiro extra para mim foi especial porque na época das edições do Abril, um grande amigo meu comprava a revista Wizard Brasil. E alguns números da revista trouxeram a identificação das inúmeras (super) pessoas que se encontravam nas 3 primeiras capas e contracapas originais, que vocês puderam apreciar parcialmente nas imagens ao longo do post. A cada personagem era associada uma descrição como por exemplo: “Batman – mestre estrategista e ainda o maior detetive do mundo”. Pois aqui temos todas identificações e descrições de todos personagens. A edição também traz os esboços e os bastidores da criação dos personagens pelo artista Alex Ross, incluindo sua motivação de escolher aquele Lanterna Verde ou Flash, por exemplo e outros detalhes do processo de criação. Neste ponto já emendo outro extra que é a completa árvore genealógica dos personagens da história, já que dentre os novos meta humanos temos muitos descendentes dos heróis do passado. Outro extra importante são as referências do roteiro a determinadas edições clássicas da DC, situações ou mesmo algumas participações especiais na história. Também tem uma galeria de capas e artes do Alex Ross. Enfim, acho que já deu para entender. E tem mais alguns que deixo de surpresa para vocês. Porque e, para finalizar, reforço: Essa edição é imperdível! Sei que elogio algumas coisas por aqui e tal, e a Panini hoje traz muitos lançamentos bacanas, todos os meses. Me chamem de tiozão, mas vocês não sabem o que era no passado ficar a ver navios de lançamentos bacanas em bancas. Muito menos com tal qualidade que também tem sido marca da Panini nos últimos anos. Se você é leitor novo e não sabe por onde começar a ler em cronologias cada vez mais bagunçadas, se você é leitor das antigas e nunca leu ou mesmo aqueles que tinha a minissérie lançada por aqui, simplesmente compre! Reino do Amanhã é daqueles quadrinhos que ficarão eternizados para sempre na história ao lado de outros clássicos como Cavaleiro das Trevas, Watchmen, V de Vingança entre poucos outros escolhidos. E se você acha que eu estou falando demais, a edição encontra-se esgotada na Loja da Panini, já teve relançamento e deve acabar novamente. Então pare tudo e clica aqui nesse link esperto do Amazon e compre já a sua.

Reino do Amanhã – Edição Definitiva

Capa dura, formato 19,5 x 30 cm, 340 páginas, papel couché, R$ 93,00 

 

Felipe

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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