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Confira nossa análise completa da série da HBO

Legado. Se quiséssemos definir uma das melhores séries do ano em uma única palavra seria essa. Watchmen é considerada uma das melhores hqs de todos os tempos. E quando uma série de TV baseada em um material tão único foi anunciada, a grande maioria dos fãs, inclusive este que vos escreve este post, torceu o nariz. Mas o nome HBO sem dúvida tem muito peso na TV, bem como o showrunner da empreitada: Damon Lindelof, uma das mentes por trás da série mais falada dos anos 2000, Lost. Veio o trailer e muito pouco foi revelado, exceto que se trataria de uma nova trama com a inclusão de elementos e personagens da hq, como Roscharch. E eis que chegou a hora de conferir o resultado final. Essa análise tem alguns comentários sobre a série e a hq, mas nenhuma revelação do roteiro que vá estragar a experiência de nosso seguidor, então fique tranquilo, a não ser que você não queira saber absolutamente nada. A série de Watchmen começa no passado, na cidade de Tulsa, Oklahoma, onde um massacre racista aconteceu em 1921 e um garoto ficou orfão. Avançamos no tempo para 2019, onde um policial é morto por um membro da chamada Sétima Kavalaria, um movimento racista no presente onde seus membros utilizam máscaras de Roscharch, um dos Vigilantes (tradução de Watchmen) da hq original. O Xerife Judd convoca seus homens, todos policiais mascarados para retaliação, mas é morto por um senhor negro segurando uma carta, a mesma carta que foi enviada junto com o garotinho sobrevivente do massacre de Tulsa. E se você acha que isso é spoiler, não, isso é só o começo…E o relógio começa a andar: Tick, tock, tick, tock. Lindelof desde o começo declarou que sua série teria uma história própria, nova. E que maravilhosa foi sua decisão. A trama foi trazida aos tempos atuais, 34 anos depois do término da hq, em 1985. Personagens foram trazidos de volta, mas Lindelof manteve sua promessa. Alan Moore, criador da hq original é um velho muito chato. Isso é fato inegável. Após ser passado para trás em uma letra miúda de contrato quando escreveu a hq para a DC juntamente com o artista Dave Gibbons, ele tem criticado tudo que transcende suas obras. Por vezes ele tem a razão, como a abominável adaptação para as telonas de A Liga Extraordinária, ou mesmo o longa de Zack Snyder de 2009 de Watchmen. Mas Lindelof não precisou atiçar a fúria do bruxo britânico ou de sua legião de seguidores que se apropriam da obra em qualquer discussão de buteco (ou de internet) sobre hqs. Não senhor. Lindelof utilizou sim personagens da obra, mas de uma forma genial. Envelheceu-os, pegou pontas soltas da hq e criou uma trama bastante atual e com temas muito relevantes desde sempre: o racismo, o vigilantismo e, como dito no começo, o legado. Legado de uma grande obra, de grandes personagens, legado de um criador que sofreu duras críticas pelo final de uma das obras mais criativas da TV, legado de uma era de TV onde a oferta de novas séries é de enlouquecer. Utilizando sua marca registrada, da já citada, ou de uma de suas obras mais recentes, The Leftovers, Lindelof criou um roteiro extremamente bem amarrado. Que amarra não só a trama da série, mas amarra com pontas soltas da hq. Colocou referências para os fãs da hq original vibrarem e também elementos de roteiro que nos fizeram ficar falando sobre os episódios a semana toda. E fez tudo isso com maestria. Se eu tivesse que escolher diria que o sexto episódio, “This Extraordinary Being”, e o oitavo, “A God Walks into Abar” são verdadeiras obras de arte. Mas todos são válidos e ao contrário de uma certa saga estelar que volta aos cinemas na próxima semana, não utilizou os personagens da hq como muletas para sustentar a série. O quinto episódio “Little Fear of Lightning” sobre um dos novos personagens, Looking Glass, não deixa dúvidas quanto a um universo que andou com as próprias pernas, mas mantendo o canône da hq original. A série é tão bem pensada que os próprios nomes dos episódios são referências para alguma situação dos mesmos, músicas ou trocadilhos muito interessantes. Voltado as hqs por um breve momento, vale citar que a própria DC Comics tentou alguns retornos ao universo de Watchmen, com Antes de Watchmen que traz histórias prequel a hq original e O Relógio do Juízo Final, continuação “oficial” da hq que vem se revelando apenas medíocre. A quem possa interessar, a primeira está sendo relançada em capa dura, e a segunda chega a sua sétima edição em um total de doze intermináveis edições por aqui pela Editora Panini. Mas já adianto que nem de longe passam perto da criatividade esbanjada na série que de novo, foi além de um simples caça níqueis ou reboot, prequel, sequel e tantos outros termos da moda que vemos todos os dias. Watchmen traz um frescor, ao mesmo tempo que respeita o legado daquela que sem dúvida ainda é uma das melhores hqs de todos os tempos. E o elenco? Sem eles a série não funcionaria. Regina King está incrível como Sister Night, um dos fios condutores da trama. Jeremy Irons está deslumbrante como Adrian Veidt, um personagem que volta do passado, mas que trilha um novo e surpreendente caminho. Jean Smart como a Agente Blake, também essencial para a trama. E falando nisso, não há quem não tenha sua importância na trama. Já falamos de Looking Glass interpretado por Tim Blake Nelson e por aí vai. A HBO não só entra de sola com mais uma produção impecável, também criou o aplicativo HBO Extras, que traz informações, easter eggs e curiosidades instantâneas conforme o espectador assiste ao episódios (baixe aqui no Google Play ou Apple Store). Além disso trouxe um podcast oficial e semanal sobre a série (confira aqui no Spotify ou no Apple Podcasts) em que dois hosts destrincham os episódios. E se ainda não for o suficiente, criou um site, chamado Peteypedia, baseado em um dos personagens da série, que traz mais conteúdos que complementam a experiência. E claro, como todas suas produções, todos os episódios já estão disponíveis no HBO GO, serviço de streaming da emissora. E é isso meus amigos, dizer mais seria arruinar a experiência dos nossos seguidores. Mas facilmente uma das melhores série do ano, senão da década, Watchmen surpreende, mantém o interesse do início até o final, e sem dúvida deixa um grande legado para a TV. Fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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