Assistimos | Titãs – Piloto

Confira a nossa análise do primeiro episódio da nova série da DC

Fato 1: As produções do gênero de super heróis estão saturadas. Fato 2: Ainda existe algumas produções interessantes, como Pantera Negra este ano. Titãs é produto do Fato 1, mas não do Fato 2. Quando a DC Comics anunciou seu serviço de streaming DC Universe, com suas próprias produções criou uma boa expectativa. Afinal, a Marvel tem feito sucesso no cinema devido ao controle de suas próprias produções, em um universo conciso e amarrado. Mas quando as primeiras imagens de Titãs (Titans, no original) começaram a aparecer, bateu aquele desânimo. Não só pela falta de transposição do material original. As demais produções da editora do canal CW criaram um universo próprio, que se por um lado não é uma transcrição perfeita dos quadrinhos, é bem estruturado, com bons atores e boa produção. Os Titãs já tiveram várias encarnações nos quadrinhos. A fase de George Pérez nos roteiros com Marv Wolfman na arte, ainda é uma das mais cultuadas. Atualmente os Titãs, tem um grupo juvenil, com filhos/pupilos dos heróis mais velhos. E na minha opinião, Titãs é exatamente sobre isso, o que é o primeiro erro da série. Mas outra hora falamos dos quadrinhos. Voltemos a série. E dessa vez teremos alguns spoilers leves, mas nada que prejudique muito a trama.

O primeiro episódio de Titãs começa com Rachel Roth, que se tornará Ravena, revisitando a cena clássica do assassinato dos pais de Dick Grayson, o Robin. E que bom começo. Ainda que os fãs já tenham visto essa cena muitas vezes ela é muito bem executada. Corta para Detroit, onde Dick é um detetive investigando um caso de violência doméstica. O rapaz (muito velho para mim em relação aos demais membros) seguiu sua vida sem Batman. A motivação segundo o próprio personagem, é que ele estava se tornando muito parecido com ele. Kori Anders, a Estelar,  é aparentemente uma prostituta/espiã (?) sem memória, perdida na Aústria (?). Sim, são muitas perguntas e poucas respostas para ela no primeiro episódio. Ainda temos uma pequena (e nojenta) aparição de Mutano.

Claro, por se tratar de um seriado é difícil julgar completamente a trama só com um episódio. O que fica visível, como ponto negativo do seriado é a violência, que eu acho gratuita em mais de um momento, e o tom dark, marca registrada dos longas da DC até o momento. Os Titãs sempre foram um grupo colorido (vide a foto acima), uma série sobre jovens, ganhando seu espaço em um mundo de super heróis adultos. E no caso da fase de Pérez/Wolfman envolvendo ainda alguns elementos mitólogicos em contraste aos Titãs greco-romanos. Claro, que hoje muitos jovens achariam esdruxúla a “colorização” dos heróis, mesmo porque cresceram envoltos em uma mídia que vem prezando os tons mais escuros, seja no uniforme, seja nas tramas desde que os X-Men de Bryan Singer em 2000, iniciaram uma nova era de filmes. Mas ainda assim, a violência não tem justificativa para mim. Principalmente no caso de Robin. Pupilo de Batman, que despreza esses meios, poderia ter trilhado seu próprio caminho de forma mais leve e fidedigna ao personagem. Já houveram Robins rebeldes? Sim, mas não Dick, que tem sido fiel ao seu mentor desde sempre. A sua relação com Ravena, atuando como mentor, talvez se torne interessante ao longo do tempo, assim como Garth que também é jovem. A descaracterização de Estelar, foi bastante polêmica, inclusive com acusações de racismo por parte de fãs. No meu caso, o pior para mim não é sua cor, e sim sua completa descaracterização. Destaque para a cena onde ela incera bandidos e sai rindo….Kori já teve suas épocas negras, mas a sua doçura e proximidade da humanidade são seus traços de personalidade mais interessantes nas hqs. Quanto a produção em si, o uniforme de Robin é o único que aparece por completo, e remete muito a versão da série Arkham dos games. No demais CGs pouco convincentes, perucas (outra coisa medonha no visual de Estelar) e escuridão o tempo todo, fazem a produção da série parecer um daqueles fan films que estão por aí. E para fechar minha análise, outro ponto decepcionante é chegar os créditos e você ler que a produção tem o dedo de Geoff Johns, um roteirista extremamente classicista nos quadrinhos, que retomou a nostalgia da Era de Ouro da DC, estar envolvido…Ele já teve outras incursões mais interessantes na TV seja em séries ou animações. Lastimável. Mais coerente é o nome de Akiva Goldsman que teve poucos bons momentos em sua carreira, como a série Fringe, mas que em termos de quadrinhos esteve envolvido em Batman Eternamente, Batman e Robin, Jonah Rex, The Losers entre outras pérolas….Bom, meus amigos, agora é esperar a série chegar no Netflix, sem data ainda, e conferir episódio a episódio se há uma evolução da série. Mas na minha opinião o piloto deve ser um dos melhores episódios, afinal é com ele que os produtores ganham o espectador. E no meu caso passou longe disso….

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

Comentários

comentários