ASSISTIMOS | THE SHAPE OF WATER

Os filmes de Guillermo del Toro são tão sensivelmente contorcidos quanto as criaturas monstruosas que escondem dentro dele.

Em The Shape of Water, o dano é mais mental do que físico. Del Toro consegue retratar um relacionamento amoroso e nada confessional de Sally Hawkins com uma criatura de peixe viscoso, de uma forma bonita. Certamente, há poucos diretores no mundo que conseguem tal feito.

The Shape of water se desenrola como um conto de fadas. Começando com uma mulher que limpa banheiros, esfrega os pisos e acaba se apaixonando por um monstro de baixo do mar. A mulher de estrema estranheza é interpretada pela maravilhosa atriz britânica Sally Hawkins.

O verdadeiro monstro aqui é Michael Shannon, que é perfeitamente moldado como agente desqualificado com rancor pessoal contra a criatura. Ele me lembrou o vilão da obra-prima anterior de Del Toro Pan’s Labyrinth – um homem de empresa limpa, disciplinado e dedicado com uma propensão para atos extremos de violência.

Neste conto de fadas urbano, temos um planeta de cores ricas e vibrantes e com um tom caprichoso endurecido pelo espectro da violência. Em The Shape of Water, Guillermo del Toro faz muito mais do que declarar seu amor por monstros, e ele mostra a magia de um artista que encontrou o seu lugar no cinema.

Mariana Pupo
Uma fotógrafa apaixonada por quadrinhos, filmes e séries. Também adora escrever e debater sobre os temas.

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