Assistimos | The Boys da Amazon Prime

Confira nossa análise completa da série da Amazon Prime

A temática dos super-heróis nunca esteve tão na moda. Filmes, séries, animações, livros e claro, quadrinhos, onde toda essa história começou. No entanto, com o aumento excessivo da demana é evidente que em algum momento o genêro chegaria à saturação, o que levaria os criadores a se reinventarem. Este ano tivemos duas produções que aproveitaram a onda dos supers e foram contra a maré, desconstruindo este universo de forma incrível. A primeira foi Brightburn – Filho das Trevas (leia nossa análise completa aqui), em que James Gunn e família desconstruíram um dos maiores super-heróis de todos os tempos: Super-Homem. E neste final de semana, eis que a Amazon Prime, nos brindou com a bela surpresa The Boys. A série adapta os quadrinhos de mesmo nome que foram publicados inicialmente pela Wildstorm, que foi absorvida pela DC Comics e depois foi concluído na Dynamite Entertainment. As hqs foram publicadas de 2006 à 2012 em um total de 72 edições. No Brasil ela vem sendo publicada pela Devir, que já lançou oito dos doze encadernados lançados lá fora. Na história das hqsThe Boys são uma divisão especial da CIA que controla os super heróis, que nessa realidade são celebridades de comportamento egoísta e auto destrutivo. A série segue a mesma linha, ainda que se aproveite de algumas referências bastante atuais do panorama que vivemos atualmente da moda dos supers. A história começa focada em Hughie Campbell, que apesar de viver em um mundo rodeado por pessoas superpoderosas tem uma vidinha bem medíocre. Mora com o pai, tem um emprego em uma loja de eletrônicos e sua namorada. Huguie leva uma vida pacata, longe de problemas e parece tudo ok ser assim. No entanto, sua vida muda quando sua namorada é morta por acidente por um super-herói. Eis que Hughie conhece Billy Butcher, um ex-agente da CIA que não se conforma com o status quo da sociedade atual. Billy vê em Huguie uma oportunidade de realizar seus objetivos, destruir os supers, como são conhecidos na história. Durante a primeira temporada, que tem apenas 8 episódios, conhecemos as motivações de Billy e dos “Garotos” do título, cujo alvo principal são Os Sete, os maiores heróis do planeta. Os Sete são alusões evidentes aos heróis da Liga da Justiça da DC Comics. São eles Homelander (Super-Homem), Noir (Batman), Queen Maeve (Mulher Maravilha), The Deep (Aquaman), A-Train (Flash) e Lamplighter (Lanterna Verde). No começo da série Lamplighter se aposentou e surge Starlight, uma garota que sempre sonhou em ser super-heróina e que também tem poderes baseados na manipulação da luz. A partir daí a trama se desenvolve em uma ação desenfreada, e entregar mais sobre a história seria dar spoilers e estragar a experiência de nosso seguidor. O que podemos dizer é que além da Liga, há vários easter eggs incríveis, então vale ficar de olhos bem abertos. Erik Kripke (de Supernatural), o showrunner da série e o time de roteiristas foram geniais ao escolher referências não só ao quadrinho original (eu mesmo ainda não li), ou a outras hqs e sim ao cinema e séries atuais. Isto possibilita a diversão para um público mais abrangente, incluindo aqueles que não gostam de super-heróis, já que o mundo colorido dos mesmos é só uma fachada para uma subversão do tema. Os atores estão sensacionais, com destaque para Antony Starr, que faz Homelander e Karl Urban, como Billy Butcher. Antony consegue nos entregar um dos Super-Homem mais interessantes dos últimos tempos, ainda que seja um reflexo sombrio do herói da DC. Já Karl, acostumado aos papéis sombrios como Juiz Dredd ou o Dr. McCoy dos últimos filmes de Star Trek, é muito convincente (e assustador) como um homem que perdeu toda a humanidade e só quer derrubar os super-heróis de qualquer maneira. Do lado das mulheres, Elisabeth Shue, uma das grandes estrelas dos anos 80, está fabulosa como Madelyn Stillwell, a vice diretora da Vought, uma corporação que promove os supers. Também Erin MoriartyDominique McElligott, que trazem lados diferentes da mesma moeda para Starlight e Queen Maeve. A primeira é a heróina jovem e idealista, a segunda, a veterana, que começa ver algumas coisas erradas no sistema que está vivendo. A fotografia utiliza das cores berrantes em um mundo que deveria ser perfeito, mas que também é sombria quando necessário. Os efeitos visuais são incríveis, ao contrário de algumas produções televisivas em que há uma evidente economia dos mesmos. E vale a advertência aos mais sensíveis ou aos pais. A série tem sim algumas cenas violentas e outras de teor sexual, mas nada gratuito. A trilha sonora está sensacional, portanto, preste atenção nas letras, pois elas dizem muito sobre o momento, característa de Kripke desde Supernatural. E por mais que seja tentador, não pule para o próximo, pois o encerramento sempre traz uma canção incrível. E é isso. Se você estava procurando por uma série bacana, sem ser longa, bem vindo. Se você está saturado do genêro dos super-heróis, bem vindo também. E claro, aos fãs de quadrinhos a série é obrigatória. Pois não é toda hora que somos brindados com um produto de tal nível. Isso me leva a crer cada vez mais, que os envolvidos nas produções poderiam fazer isso mais vezes. Pensar fora da caixa e não ser demasiado fidedigno e nem distorcer demais as histórias bacanas que estão ali, prontinhas nas estantes das livrarias e bancas de jornais. Fiquem ligados para mais novidades sobre séries de TV, a qualquer momento, aqui mesmo no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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