Assistimos | Star Wars: A Ascensão Skywalker

Confira nossa análise do final da nova trilogia de Star Wars

E chegou a hora de conferir o Episódio IX da saga de Star Wars, A Ascensão Skywalker, longa que fecha a nova trilogia da saga espacial. E já começo minha análise dizendo que infelizmente o filme deixou a desejar. Além disso, diferente do que acontece em nossas críticas esta trará um primeiro momento sem spoilers e a seguir uma seção em que são necessárias algumas revelações necessárias para fortalecer a análise, já que não se trata de um filme, mas o último capítulo de uma saga. Mas nosso seguidor pode ficar tranquilo que será avisado. O filme começa quando a General Leia Organa recebe uma misteriosa transmissão que revela que o Imperador Palpatine, líder do Império aparentemente está vivo. Começa aí uma busca pela verdade dos fatos e de impedir que o Império destrua a paz da galáxia. Comecemos justamente por essa palavra busca, que é o ponto central (ou deveria ser) da trama. Na verdade ocorrem várias buscas durante o filme e no início isto funciona muito bem, pois mostra o desenvolvimento do trio de protagonistas: Poe, Finn e Rey. Esta última, além das buscas necessárias enfrenta sua própria busca a respeito de sua identidade, um dos grandes mistérios tecidos ao longo dos três novos episódios. Rey também tem que lidar com a busca de se tornar uma jedi e manter o legado dos cavaleiros. Do outro lado do espectro da Força, Kylo Ren, que se tornou o Líder Supremo após a morte de Snoke no último filme, também está em busca da verdade sobre o Imperador, enquanto tenta se firmar como o líder da Primeira Ordem. A partir daí começa uma correria frenética na eterna batalha do bem contra o mal. Infelizmente a correria acaba sendo um dos pontos negativos, já que o roteiro toma soluções facéis e não deixa tempo para desenvolver alguns aspectos importantes do filme. O fan service, o verdadeiro lado negro do cinema nos últimos tempos, se por um lado nos leva a um sorriso fácil, por outro é desnecessário forçando situações que levam a um resultado final negativo. Por se tratar de um último capítulo final, o filme deixa a desejar em conclusões ou resolução de questões em aberto. Também é apressado, como nos episódios anteriores com cenas ou personagens que não tem propósito aparente, a não ser na expansão do universo. Ainda que essa expansão já vise uma continuidade, levando a concretização do temor de muitos fãs, como eu, da massificação cada vez maior de produtos de Star Wars. Se por um lado isso pode ser surpreendentemente positivo, como em O Mandaloriano, por outro, fica aquela sensação de insatisfação que já é recorrente nos filmes da Marvel, de sempre estar olhando para a frente, e não para o momento.

E agora é chegada a hora de alguns spoilers, e portanto, se você não quiser saber nada sobre o filme, pare por aqui. Outro dia discutia com um grande amigo meu a coragem que alguns roteiristas tem nas decisões de roteiro. Aqui esta coragem é nula. Como disse anteriormente o roteiro permanece constante em decisões fáceis ou mal desenvolvidas. Vamos lá. O grande mistério da identidade de Rey é medíocre. E para piorar é revelado e mudado durante um único filme. A garota é revelada uma Palpatine, neta do Imperador. É um choque que até funciona para explicar o porque dela pender para o lado negro. Mas não contente com isso, os roteiristas dão um jeito dela se tornar uma Skywalker ao fim do filme. A atuação de Daisy Ridley foi incrível neste último longa, ainda que suas falas e algumas situações são deprimentes. E falando Skywalker, que decepcionante foi este personagem chamado Ben Solo Skywalker.

Ao longo dos três episódios os roteiristas não souberam o que fazer. Primeiro ele era mal, depois aparentemente buscava a redenção. No novo longa ele faz o inferno com a vida de Rey, toca o terror com seus novos Cavaleiros de Ren (por que os primeiros tiveram que morrer? Qual o acréscimo disso?) e a Primeira Ordem. E para que? Para tentar se redimir no final. Eu digo tentar porque os roteiristas Chris Terrio e J. J. Abrams, que também dirige o longa, entregam um final deprimente para Ben. Com direito a mudanças de lado repentinas, a despedida de Leia, que se sacrifica para salvar a alma do filho e um romance forçado nos últimos minutos de vida com Rey. No tocante a Leia, sua despedida ocorre de maneira muito fácil, sem profundidade e só sentimos o impacto tardiamente, através de outros personagens como Chewie. Mas assim como Daisy, Adam Driver evoluiu de maneira incrível e sua melhor atuação acontece nas cenas em silêncio sem os dialógos fracos que são colocados em seus lábios. Adam termina a trilogia completamente a vontade como Ben/Kylo e é realmente lamentável o desperdício daquele que poderia ser um grande personagem. E um dos motivos disso é a perda de tempo com novos personagens em um último capítulo desta história. Isso ocorre no filme em dois momentos. O primeiro é a inclusão da ex amante (ou namorada? Não importa. Temos mais um personagem para tomar tempo em tela) de Poe Dameron, Zorii Bliss. Ela aparece apenas como um acessório para encontrarem determinado personagem, e para mencionar (sem desenvolvimento novamenteo) um pouco do passado de Poe. O segundo é a personagem Jannah, que poderia apenas ajudar os heróis em sua jornada como tantos outros. Não. Há tempo dela se revelar uma stormtrooper, criar uma conexão com Finn imediata, sendo que ele acabou de conhece-la, e ainda sobra tempo para ela participar da batalha final em um ataque terrestre (?) aos Cruzadores Imperiais montados em Orbaks (??).

E por falar de Finn, chega a ser irritante a auto afirmação do personagem em ser um sensitivo da Força. Já sabemos isso desde o Episódio VII. Mas os roteiristas além de auto afirmarem, usam isto de maneira pouco convincente. Como no momento da batalha final que ele diz que “Apenas sabe” o que tem de fazer. Como e quando ele desenvolveu isso? Por que não dispender tempo com o desenvolvimento destes personagens? Seria incrível eles andarem com suas próprias pernas, ao invés de se apoiar na velha geração. E por falar nisso, os que gostam da nostalgia, ela está presente aqui novamente. Mas também em situações desnecessárias, ou que simplesmente não acrescentam nada à trama. Mark Hamill tem um ótimo momento com sua discípula Rey e Harrison Ford brilha em poucos minutos ao lado de seu filho Ben. De resto é puro fan service, exceto talvez a cena final que seria ainda mais maravilhosa se tivessem desenvolvido o caminho para ela de forma mais adequada. A participação de Lando Calrissian é completamente forçada, com direito a usar a mesma roupa do filme de Han Solo para justificar a existência do spin-off. Ou a insistência em justificar que a Resistência precisava de mais um piloto em suas linhas. E, claro, a aparição Deus Ex Machina que salvaria a pátria, mas que minutos depois que a construção do arco dramático é toda desfeito por um ataque ridículo do Imperador Palpatine. Além de ser um exagero na utilização dos poderes do vilão, ao menos do que foi mostrado nos filmes até hoje, tira ainda mais o foco do seu duelo com Rey que acontece simultaneamente.

E por falar do Imperador Palpatine, que desperdício de um grande vilão. Utilizam o personagem para explicar a existência de Snoke, para criar um inimigo aparentemente imbátivel, que reúne as almas de todos os Sith anteriores (??) e claro para ser o vilão que puxava as cordinhas dos bastidores de toda a trama. E para que? Para ser derrotado em mais uma solução fácil de roteiro. E terminar de desperdiçar uma história que poderia ter sido construída somente com novos personagens, sem depender dos antigos. Enfim, acabei me estendendo muito, mas é que realmente quis mostrar os inúmeros erros que o filme cometeu baseado em fatos. E para terminar, se por um lado muitos vinham torcendo o nariz para os Episódios VII e VIII, A Ascensão Skywalker é carente não só de acertos, mas também de uma conclusão digna de um novo capítulo da mitologia de Star Wars. Agradecemos a Walt Disney Brasil pelo convite para a pré estreia. Fiquem ligados para mais novidades sobre este e outros filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Comentários

comentários