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Confira nossa análise do filme mais indicado ao Oscar 2019

Lançado em outubro do ano passado, já está disponível na Netflix o filme Roma, de Alfonso Cuarón. O filme fez sucesso no boca a boca de quem admira os filmes de arte, mas ganhou maior repercussão recentemente, após suas dez indicações ao Oscar deste ano (confira a lista completa clicando aqui). Já é um hábito para mim assistir aos indicados à premiação, ao menos os que interessam mais, e resolvi conferir. E posso dizer que não é nenhum exagero o número de indicações. O filme é uma aula de cinema. Cuarón já havia demonstrado seu talento nos seus filmes anteriores, sendo que já levou o Oscar por Melhor Direção e Melhor Montagem por Gravidade. Entre seus outros trabalhos, destacam-se E sua mãe tambémFilhos da Esperança Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (para mim, o melhor da série). Em Roma, o diretor faz o seu trabalho mais intimista. Alfonso baseou-se em suas próprias memórias da infância no México (a começar pelo nome Roma, o bairro em que vivia) para contar uma bela história. Roma segue ao longo de um ano a vida de uma família no México na década de 70, através do olhar de sua empregada e babá Cleo, uma homenagem à sua empregada na infância, Libo, que ajudou à cria-lo. O filme segue os eventos rotineiros da família, e a principio o filme deve desagradar quem não gosta destas minúcias, as pequenas coisas do dia a dia. Mas o olhar de Cuarón é tão maravilhoso que acho muito difícil quem não se encante. O diretor usa uma camera pouco invasiva e algumas sequências são tão envolvente que você se esquece que está assistindo um filme. Repare na sequência inicial em que acompanhamos Cleo enquanto faz suas tarefas diárias. É de uma sensibilidade incrível. O diretor foi muito feliz ao utilizar o olhar da empregada para mostrar a história da família e também do quadro político da época. O México estava em uma época de conflito, devido a ditadura instaurada no país e Cuarón agrega o fato histórico à trama. Também deixa bem claro o conflito entre as classes sociais, a começar pelo preto e branco utilizado no filme. Traz ainda a colonização dos EUA, mostrando a tomada de terras por alguns americanos. E o que parecia ser só mais uma história sobre uma pessoa do povo acaba trazendo história, preconceito, contraste social, além dos conflitos da trama em si, que são fantásticos. Quanto aos atores, estes fazem jus ao gênio de Cuarón, a começar por Cleo, interpretada pela estreante Yalitza Aparicio, que mesmo já sendo nativa indígena do México, é incrível. Ela pouco fala durante o decorrer da película, mas transmite tantas emoções. Porque sim, ela é a protagonista, e ainda que Cuáron insira muitas camadas  e subtextos, o filme segue vida de Cleo. Outro destaque é a sua patroa, Sofia, interpretada por Marina de Tavira, que segue a tendência, recente, mas não inédita na história do cinema, de mulheres fortes como protagonistas. O elenco infantil também está de parabéns, pois cumprem direitinho seus papéis, ao contrário dos atores mirins das produções nacionais cada mais mais lamentáveis. Enfim, claro que é sempre bom ver nossos herois se pendurando em prédios, enfrentando ameaças intergalácticas, entre outros blockbusters, mas tire um tempo e veja Roma. Muito mais que simplesmente um filme, mas uma obra que nos fazem pensar e nos acompanha após o final da sessão. E para finalizar, independente do resultado do Oscar, Cuarón já é um vencedor, pois durante o tempo da exibição nos transporta a uma outra realidade, ainda que muito atual e próxima de nós, de forma sensível e deslumbrante, e é justamente este um dos objetivos da sétima arte.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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