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Confira nossa análise completa do filme indicado ao Oscar 2020

No próximo dia 09 de fevereiro acontece a cerimônia do Oscar 2020 e o GamePlay RJ continua a cobertura da maior celebração do cinema do ano. Ao longo das últimas semanas encaramos a missão de assistir os principais indicados (confira a lista completa aqui). Fiquem com a gente durante esta semana pois vem mais por aí, além de um post especial reunindo todas as críticas dos indicados. O filme concorre em 6 categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Diretor e outras categoras técnicas. Trata-se de um feito raro para um filme falado em outra língua, e, de acordo com as premiações deste ano, o filme tem grandes chances. Conferi Parasita ano passado, e o elegi como o melhor filme do ano (confira nossa lista aqui). E é simplesmente por isso que não consegui escrever um texto antes. Um filme que passei por muitos genêros, e que se por um lado não tem uma trama muito complexa à primeira vista, tem muito a ser digerido. Dito isso, não é possível fazer uma análise do filme sem a menção de alguns fatos da trama. Então se você não viu e não quer saber nada sobre o filme, o que recomendo fortemente, fique por aqui e volte depois de curtir a experiência. Ao lado do brasileiro Bacurau, o filme de Bong Joon-ho traz temáticas bastante atuais: a disputa de classes, a má distribuição de riquezas no país, além das dificuldades de sobrevivência dos menos favorecidos. É neste quadro socio-político que somos apresentados a família de Kim Ki-taek (Song Kang Ho), que vive com a sua esposa Choong-sook e seus filhos Ki-woo (Choi Woo Shik) e Ki-jung (So-dam Park). A familía vive em um pequeno apartamento, situado no subsolo da cidade, em extrema pobreza, vivendo de trabalhos pequenos para sobreviver. Mas quando Ki-woo começa a dar aulas particulares de inglês na mansão da abastada família Park por indicação de um amigo, sua família vê uma oportunidade de prosperar e começam a se infiltrar um a um na vida dos Park. Daí o nome do filme, ainda que durante o desenvolvimento da trama o espectador tem uma inversão desta visão, já que o parasitismo dos Park em relação dos empregados vai ser revelando. Mas apesar da temática sócio política, o filme não é enfadonho. De fato, ele passeia por vários genêros, partindo do drama, passando por leves toque da comédia e terminando no horror. É evidente a tentativa de que o espectador se importe com os percalços que a família passa vivendo abaixo do nível da rua, fugindo de bebados que querem urinar em sua janela, tentando conseguir um sinal de wi-fi. Até que começa a aparecer a malandragem, dita típica dos brasileiros, o jeitinho para sobreviver. O próprio diretor declarou ao receber a Palma de Ouro em Cannes que fez o filme para trazer à tona os que foram esquecidos pela sociedade. No entanto, as coisas começam a ganhar contornos sérios e o clima de comédia é substituído por uma tensão crescente que desaba no horror no ato final. Mas não espere nada muito sangrento, ainda que haja um pouco de gore. É um horror psicológico, chocante, vindo quando e onde menos esperamos. Mas mais espantosa é a genialidade do diretor que consegue transmitir tantas mensagens na maioria das vezes sem dizer uma só palavra. E claro, os ótimos atores, especialmente o veterano, e parceiro de Bong Joon-ho em outros de seus filmes, Song Kang Ho. É incrível como ele muda do humor, para a tensão, dissimulação, raiva e outros sentimentos tão naturalmente. Verdades que são conhecidas mas não ditas, temas que temos conhecimento mas ignoramos ou nunca sentimos na pele, assim é Parasita. Esperamos que o filme seja reconhecido no Oscar e que seja exibido em um maior número de salas, pois sem dúvida é uma raridade tanta sensibilidade e genialidade de um cineasta como Joon-ho nos dias de hoje. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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