Assistimos | O Primeiro Homem

Confira nossa análise sem spoiler desta grande estréia

O Primeiro Homem estreou hoje nos cinemas brasileiros e se você, assim como eu, acha o tema da exploração espacial batido, esquece, pois estará perdendo um dos grandes filmes do ano. Sério, sem exagero. Depois de ver o primeiro trailer não dei grande importância, mas um grande amigo meu (valeu Camões!) me lembrou da estréia e decidi conferir. E já digo de cara que valeu cada segundo. E como sempre, nossa análise é sem spoilers, então você pode ler tranquilo antes de conferir. O diretor Damien Chazelle já havia me encantado com La La Land. Um diretor jovem que vem emplacando sucesso atrás de sucesso (ainda não assisti Whiplash, vou corrigir isso) é um apaixonado pela sétima arte. Isto fica evidente após assistir uma grande produção como essa, que não te deixa após a saída da sala. Mas vamos ao princípio. O filme é baseado na biografia Neil Armstrong, First Man: The Life of Neil A. Armstrong, escrita por James R. Hansen, e narra a vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling, em mais uma grande atuação) e sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Mas ao contrário de outras produções do genêro que seguem a cartilha das biografias, o foco é exatamente no homem por trás do mito, suas falhas, seus anseios e claro, suas conquistas. Também não é aquele típico filme que o cara já nasce um gênio e segue ladeira acima. O longa mostra a difícil luta como engenheiro e homem em contraste aos sacríficios da corrida espacial. Você que não tolera o patriotismo americano também pode ficar tranquilo, pois aqui ainda que exista, ocorre de forma natural, sem exageros. Também há um pouco dos bastidores da Guerra Fria contra os russos e a corrida espacial, mas de novo, não é o foco. Após uma tragédia pessoal, Neil  Armstrong decide se candidatar em um programa da Nasa, que ainda não era a conhecida potência de hoje, o que o levará de encontro a uma das grandes conquistas da humanidade. Mas claro que isso não ocorre de imediato e de forma bastante realista acompanhamos a jornada do homem singrando o vasto espaço que nos cerca. 

Além de Gosling que tirou o estigma de ser apenas um rostinho bonito faz tempo, temos a excelente Claire Foy (a Rainha Elizabeth II de The Crown), como Janet Armstrong. A atriz encarna a expressão de “Por trás de todo grande homem há uma grande mulher”. E claro que isso não adiantaria sem o olhar de Chazelle que faz miséria com as camêras seja em close-ups lindos que extraem o melhor de dos atores, seja nas tomadas panorâmicas espaciais que te deixam esquecer facilmente que se trata de ficção. A paixão pelos detalhes do diretor também se faz impossível de se apaixonar. A reprodução dos instrumentos da época, o filtro que mimetiza um filme antigo, além de cenas que parecem fora de lugar, mas que tem sua função. Lembre-se ao assistir de uma mosca em um local pouco adequado. Ou as cenas com de Armstrong com seus filhos. É de uma sensibilidade tocante. Outro destaque fica para trilha sonora de Justin Hurwitz, parceiro de Chazelle desde sua estréia em Guy and Madeline on a Park Bench, seguindo em Whiplash e La La Land. É aquela trilha sonora que também fica na cabeça e se faz presente de forma adequada em todos momentos do filme. Aliás falando em música os efeitos sonoros são arrebatadores, seja durante os voos ou no silêncio do espaço. Recomendo que vocês façam como eu e procurem uma sala com som excelente ou mesmo uma D-Box e similares que a cadeira balança durante a exibição. Vai amplificar sua experiência. Vou encerrando por aqui ressaltando uma vez mais que na minha opinião você não pode perder um dos melhores filmes do ano. E que venham muitos como este, pois andam fazendo falta. Parafraseando o astronauta: “Um pequeno passo para o cinema, mas um grande passo para o espectador”.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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