Assistimos | O Homem Invisível

Confira nossa análise completa do remake da Universal Pictures

E chegou a hora de conferir O Homem Invisível, baseado no livro de H.G. Wells de 1897. Ainda que algumas pessoas estejam categorizando-o como um remake do filme clássico de 1933, eu acho uma afirmação errônea, já que o filme traz uma versão original e atual da história do livro. O filme estrelado por Elizabeth Moss (da série Handmaid’s Tale) e dirigido por Leigh Whannell (Insidious, Jogos Mortais) traz temas muito relevantes como relacionamento abusivo, trauma, gaslighting, ao mesmo tempo que respeita a obra original. Mas vamos começar pela sinopse e fiquem tranquilos pois nossa análise não tem spoilers:

“Presa a um relacionamento violento e controlador com um rico e brilhante cientista, Cecilia Kass (Moss) escapa na calada da noite e desaparece, para se esconder, com a ajuda de sua irmã (Harriet Dyer, The InBetween/NBC), de sua amiga de infância (Aldis Hodge, Straight Outta Compton) e de sua filha adolescente (Storm Reid, Euphoria/HBO). Mas quando o ex abusivo de Cecilia (Oliver Jackson-Cohen, A Maldição da Residência Hill/ Netflix) comete suicídio e deixa para ela uma porção generosa de sua vasta fortuna, Cecilia suspeita que sua morte tenha sido uma farsa. À medida que uma série de coincidências sinistras se torna letal, ameaçando a vida de quem ela ama, a sanidade de Cecilia começa a se desfazer quando ela tenta desesperadamente provar que está sendo caçada por alguém que ninguém pode ver.”

O Homem Invisível já teve diversas adaptações para o cinema e TV, sendo as mais marcantes para a telona, a versão clássica de 1933 e The Hollow Man de 2000. É interessante como o livro de H.G. Wells teve diferentes interpretações e propostas ao longo de suas adaptações. Enquanto o filme clássico é praticamente uma adaptação ipsi litteris da obra original, o longa de 2000 já traz alguns elementos diferenciados. Já o novo filme é uma proposta mais mental e psicológica que utiliza da invisibilidade e do “monstro” para discutir temas mais profundos. Este estilo de filme tem sido a marca registrada da Blumhouse que tenta reiniciar um Dark Universe baseado nos Monstros Clássicos da Universal. Infelizmente a primeira incursão foi o lamentável A Múmia de 2017 que praticamente tinha naufragado o projeto. Aqui, de forma diferente, temos uma releitura bastante atual. Claro que somente o roteiro que utiliza da paranóia da fuga de um relacionamento abusivo aliado à invisibilidade não seria nada sem a atuação de Elizabeth Moss. A atriz consegue constroi sua atuação de uma mulher fragilizada para uma mulher poderosa de forma natural, sem recorrer a tantas caras e bocas como outras atrizes no genêro de horror. A direção de Leigh Whannell também é bastante competente, seja “mostrando o que não se pode ver” em tomadas por vezes fechadas para favorecer a reação da atriz, ou em tomadas mais abertas para captar o ambiente e a paranóia de um observador que por vezes realmente não está ali. A violência contra as mulheres, relacionamentos abusivos, relações tóxicas e gas lighting são temas muito discutidos atualmente que merecem toda vitrine possível. Mas de forma alguma a inserção destes temas na trama soa forçada. Pelo contrário, cria situações interessantes com uma sensação de frescor que não vê atualmente na maioria dos filmes de terror. E analisando-se em termos de contribuição ao genêro, pode-se dizer que há vários tons durante o filme. Em alguns momentos o horror psicológico que remete diretamente à obra original se faz presente, mas também há espaço para o gore e a violência, que de forma alguma é gratuita. A explicação para a invisibilidade recorre a óptica, como na obra original, mas também para um elemento sobrenatural que deixa o espectador na dúvida do que realmente está acontecendo. Enfim, posso dizer que facilmente se trata um dos grandes filmes de terror do ano, que agrada não somente aos fãs do genêro, mas de uma história muito bem contada e conduzida. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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