Assistimos | O Escolhido da Netflix

Confira nossa análise completa da estreia da semana da Netflix

Destaque entre as estreias da semana na Netflix, O Escolhido é uma série brasileira original do serviço de streaming. Escrita pelo casal de autores de fantasia, Raphael Draccon e Carolina Munhóz (falamos mais sobre eles aqui), a série traz uma história repleta de elementos de fantasia e muito suspense. Mas um dos pontos mais interessantes da série é que, diferentes de muitas produções, inclusive recentes, que utilizam elementos de outras culturas, O Escolhido é totalmente brasileira. A série é baseada na série mexicana Niño Santo, mas os autores adaptaram totalmente para nosso folclore. Mas vamos a sinopse oficial:

“Três jovens médicos são enviados a um vilarejo remoto do Pantanal para vacinar seus moradores contra uma nova mutação do vírus da Zika. Seus esforços para tratar a população são recusados, e os médicos se vêem subitamente presos em uma comunidade isolada coberta de segredos e devota de um líder enigmático que os força a confrontar o poder da fé com a ciência”

A série se passa no Pantanal, apesar de ter sido filmada no Norte do país, e a inclusão de nossa cultura já começa na fotografia e ambientação. Os rios, matas, fauna e flora, o isolamento dos habitantes de vilarejos, os curandeiros e a fé. Confesso que fiquei incomodado no começo, justamente por ser uma pessoa mais sistemática, científica. E é justamente o conflito que surge na mente dos médicos quando chegam ao vilarejo de Aguazul, a misteriosa cidade onde ninguém fica doente. O conflito fé versus ciência já foi abordado na ficção inúmeras vezes, como na série Lost. Mas aqui os tons de cinza do conflito interno dos personagens começam a aparecer desde o inicio. Através de flashbacks conhecemos mais sobre a vida dos médicos Lúcia (Paloma Bernardi), Enzo (Gutto Szuster) e Damião (Pedro Caetano) e as dúvidas sobre suas crenças pré estabelecidas sobre os dois temas começam a surgir. O roteiro de Draccon e Munhóz aliado à ótima direção de Michel Tikhomiroff (da série O Negócio) mantém o telespectador tão perdido quanto os personagens, mas em um bom sentido. Os 6 episódios que compõe a primeira temporada trazem uma trama bem conectada, de tal forma que você fica apreensivo para saber o que está acontecendo. E a medida que vão sendo reveladas as respostas de quem é o tal Escolhido, porque ele consegue curar as pessoas ou por que as pessoas temem tanto os forasteiros, sem se dar conta o espectador já maratonou toda a série. Uma escolha bastante acertada o número reduzido de episódios, pois não fica aquela sensação, recorrente em muitas séries, que você está sendo enrolado, ou que nunca vai terminar de assistir a série. Aliás, vale ressaltar que a trama fica aberta para mais uma temporada, mas explica grande parte das questões. Mas nada muito didático, ou evidente, subestimando a inteligência do telespectador, mas aquela série gostosa, que você vai recomendar para seus amigos e ficar pensando por horas a fio sobre ela. E é incrível ver uma série brasileira, com elementos de nossa cultura, mas sem ser aquele lugar comum das produções nacionais. Infelizmente revelar mais sobre a história seria estragar a experiência de nosso seguidor, então fico por aqui. Mas se você estava procurando uma série diferente, curta e com uma pegada bem diferente dessas que inundam as telinhas todas as semanas, confira O Escolhido. E fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries aqui mesmo no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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