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Confira nossa análise completa do novo filme de Jordan Peele

E chegou a hora de conferir Nós, novo filme do diretor Jordan Peele que estreou nos cinemas brasileiros esta semana. Em Corra!, Jordan foi muito feliz em misturar o mundano, com o terror, e pitadas de crítica social. Em Us, aparentemente o diretor iria seguir a mesma fórmula conforme o trailer que você confere acima, mas entrega um filme profundo e que vai dar o que falar, e pensar, quando você deixar a sala. Mas vamos a sinopse oficial da Universal Pictures:

“Situado nos dias atuais ao longo da costa norte da Califórnia, Nós é protagonizado pela ganhadora do Oscar Lupita Nyong’o (Adelaide Wilson) – uma mulher que retorna à casa de verão de sua infância com seu marido Gabe (Winston Duke, de Pantera Negra) e seus dois filhos (Shahadi Wright Joseph, Evan Alex) para um descanso merecido ao lado da familia. Assombrada por um trauma inexplicável e não resolvido de seu passado e agravada por uma série de coincidências estranhas, Adelaide sente sua paranoia se elevar quando sente que algo ruim vai acontecer com sua família. Depois de passar um dia tensa na praia com os seus amigos, os Tylers (a vencedora do Emmy Elisabeth Moss, Tim Heidecker, Cali Sheldon, Noelle Sheldon), Adelaide volta para sua casa de férias com a familia. Quando a escuridão cai, os Wilsons descobrem a silhueta de quatro figuras iguais a eles de mãos dadas. Nós coloca uma cativante família americana contra um adversário terrível e estranho: eles mesmos.”

Já começo avisando que a nossa análise não tem spoilers e recomendo que você fuja completamente deles na internet antes de ver o filme. Também já digo que o filme é aberto a mais de uma explicação e optei por não focar nesse ponto aqui, pois além dos spoilers, estragaria a própria interpretação de nosso seguidor. O filme começa como muitos outros do genêro: família saindo de férias de verão, chega em uma casa de veraneio para curtir as férias na praia. Aparece então uma ameaça que destrói o equilíbrio e alegria ali esperados e começa o terror. O problema de um cineasta retornando às telas após uma estréia tão aclamada é a expectativa. E nesse caso, felizmente Jordan faz até melhor do que fez em sua estreia. O cineasta manda muito bem tanto no roteiro, que traz múltiplas camadas de interpretação e também na direção. E ao contrário do que o trailer vendia não é um filme sobre negros e sim um filme protagonizado por negros. Lupita sem dúvida rouba a cena e faz jus ao seu Oscar de 2014 por 12 Anos de Escravidão, mas todo os atores estão muito bem, inclusive as crianças que são bastante expressivas e nos passam tudo o que estão sentindo. Incrível também é como os atores conseguem distoar tanto em suas versões normais e nas suas cópias que os aterrorizam. As tomadas de Jordan são de babar. Algumas comparáveis a clássicos eternos do terror como O Iluminado. O diretor não faz aquele filme de terror padrão, que inundam nossas salas todos os meses, com aqueles sustos artificiais, provocados. Ele consegue unir o cinema popular e o de arte e cria uma atmosfera de tensão de deixar o espectador sem respirar até o derradeiro final, mas de forma sutil, quase poética. A trilha sonora também é competente, sem provocações para gerar terror, pois não são necessários. E aos que não gostam de filmes de terror, vão sem medo, pois esse é facilmente um dos melhores filmes do ano até o momento. Apesar de ter algumas cenas violentas, todas servem a um propósito maior, uma mensagem que o diretor quer entregar ao seu espectador. E o cinema não é, ou deveria ser, sobre isso? Infelizmente não é possível entrar em detalhes da trama sem entregar spoilers. Só fica a dica para assistir com muita atenção a tudo o que está acontecendo ali, pois nada é ao acaso. E caso passe batido em alguns pontos como eu, daí sim recorrer à análises na internet ou mesmo assistir novamente, o que não é sacrifício algum. Afinal, não é todo dia que somos brindados com um terror desse nível, ou com um talento como o de Jordan no cinema.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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