Assistimos | Ninguém tá olhando

Confira nossa análise completa da série original da Netflix

O que acontece quando você reúne muitas webcelebridades,o diretor Daniel Rezende (Se você não assistiu Bingo: O Rei das Manhãs e Turma da Mônica: Laços ainda, assista já), uma Netflix lutando para se manter viva na guerra dos streamings em uma comédia com elementos sobrenaturais? Uma das séries mais engraçadas do ano. No geral as comédias nacionais me entendiam e não levantam um sorriso,mas essa série é facilmente uma das coisas mais interessantes que vi na Netflix e na telinha esse ano. Mas vamos começar pela sinopse de Ninguém tá olhando:

“Ulisses é um Angelus muito questionador que acabou de chegar no 5511º Distrito Angelus. Assim que descobre como o trabalho deve ser feito, ele acaba quebrando todas as regras milenares dos Angelus com a melhor das intenções: ajudar os humanos que realmente precisam de ajuda. Afinal, tem gente que segue regras e tem gente que muda o mundo.”

Tudo começa quando após ajudar Miriam (Kéfera Buchmann, do canal 5inco Minutos e que tem estrelado novelas como Espelho da Vida e seus próprios filmes, É Fada! e Eu sou mais eu), Ulisses (Victor Lamoglia, do canal Parafernalha) acaba encantado com a moça e decide burlar o sistema burocrático dos anjos. Vendo a oportunidade de finalmente sair de um ciclo repetitivo de 8 mil anos, juntam-se a ele, Greta (Júlia Rabello) e Chun (Danilo de Moura), que começam a questionar o sistema. Infelizmente revelar mais sobre a trama em si seria estragar ótimas surpresas, como o encontro dos Angelus com o chefe (Deus), as suas visitas ao humanos nas Ordens do Dia, que são as missões de proteção dadas a cada anjo, bem como o desenrolar da trama. O que posso adiantar é que além do trio de ótimos atores e de Miriam, a série tem um ótimo elenco de apoio, como o líder do 5511º Distrito Angelus, Fred (Augusto Madeira) e o amigo de Uli, o veterinário Sandro (Leandro Ramos do Choque de Cultura) que tiram muitas risadas em suas aparições. Mas não pense que é uma comédia brasileira genérica como vemos todos os dias por aí. De forma sutil, a série tem questões muito bacanas como o nosso propósito de vida, nossas crenças e regras internas inquebráveis, o livre arbítrio de nossas escolhas e a desconstrução dos estereótipos de nossa sociedade. A série também tem várias referências à cultura pop como o próprio traje dos Angelus, inspirado nos uniformes da novela Rebelde, que chega a se auto satirizar durante a série e até auto referência do filme Bingo de Daniel Rezende. A série consegue ser divertida sem se ater a bordões, situações forçadas ou comédia plastificada. Também tem uma influência do estilo de humor dos vídeos do próprio Parafernalha ou Porta dos Fundos. A direção de Daniel Rezende tira uma boa atuação dos atores e traz cenas epicamente engraçadas e bem dirigidas. Lembre-se de uma cena ao som da música Imortal de Sandy e Júnior quando assistir. Apesar do uso de um background de elementos religiosos, a série em nenhum momento é derespeitosa, e aproveita para criticar o comércio ou a falta de propósito de alguns cultos que surgem a cada dia. O formato curto, de apenas oito episódios é uma ótima pedida em meio à tanta oferta que temos hoje e não se torna cansativo. Enfim, termino minha análise por aqui, mas fica a dica de uma ótima produção original brasileira da Netflix que se por um lado nos leva a questionar se realmente tem alguém olhando por nós. A primeira temporada completa de Ninguém tá olhando já está disponível, somente na Netflix. Fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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