Assistimos | It: Capítulo 2

Confira a análise completa do filme da Warner Bros Pictures

Estreou esta semana nos cinemas brasileiros a esperada sequência de terror, IT: Capítulo 2, da Warner Bros Pictures. O segundo capítulo da saga de Pennywise e do Clube dos Otários deixa a desejar em alguns momentos, mas termina bem a adaptação do livro de Stephen King. Como sempre nossa análise é sem spoilers, mas há alguns comentários gerais sobre o filme, portante se você não quer saber absolutamente nada, volte depois de assistir. Mas primeiramente a sinopse oficial:

“O mal ressurge em Derry quando o diretor Andy Muschietti reúne o Clube dos Otários em um retorno para onde tudo começou na sequência IT: Capítulo Dois, a conclusão do filme de terror de maior bilheteria de todos os tempos. Vinte e sete anos depois do Clube dos Otários derrotar Pennywise, ele volta a aterrorizar a cidade de Derry mais uma vez. Agora adultos, os Otários há muito tempo seguiram caminhos separados. No entanto, as crianças estão desaparecendo novamente, então Mike, o único do grupo a permanecer em sua cidade natal, chama os outros de volta para casa. Traumatizados pelas experiências de seu passado, eles devem dominar seus medos mais profundos para destruir Pennywise de uma vez por todas… colocando-se diretamente no caminho do palhaço, que se tornou mais mortal do que nunca.”

O filme se passa 27 anos após o primeiro longa, como era de se esperar com o pacto de sangue feito pelos membros do Clube dos Otários (péssima e/ou desnecessária tradução. Losers mesmo como no original, já usado no cotidiano, ou Perdedores seriam melhores). Então, se você não assistiu o primeiro, diferente de muitos filmes de terror atualmente, nem perca seu tempo. IT: Capítulo 2 é uma sequência direta dos eventos do primeiro filme. Quando um rapaz é encontrado morto e desmembrado pela polícia, Mike (Isaiah Mustafa), que nunca deixou a cidade de Derrin, convoca seus amigos para cumprirem a promessa. Resta eles se unirem novamente para derrotar Pennywise. E aí está o primeiro ponto positivo do filme. A escolha dos atores para interpretar os garotos do primeiro filme, agora adultos, foi ótima. James McAvoy e Jessica Chastain dispensariam comentários, pois como sempre são monstruosos (com o perdão do trocadilho) em cena. McAvoy nos entrega um Billy adulto com muitos níveis de atuação, hora traumatizado, hora explosivo, hora dramático. É inevitável não lembrar de sua atuação recente em Fragmentado e Vidro. Já Jessica nos entrega toda a força de Bev, interpretada por Sophia Lillis no primeiro longa, bem como a fragilidade de uma mulher que continua sofrendo do abuso do pai. Quanto ao alívio cômico, Bill Hader, já reconhecido como astro de comédia, traz um momento meio auto biográfico, para interpretar Richie, que se tornou um comediante de stand up no futuro. Junta-se a ele James Ransone, que na minha opinião, é o mais fidedigno, inclusive fisicamente, ao hipocondríaco Eddie. Completa o time o ex gordinho Ben (Jay Ryan), que se por fora mudou fisicamente, por dentro ainda é um garoto inseguro e traumatizado. Aliás, trauma é a palavra chave do novo longa. O roteirista Gary Dauberman (de Annabelle, felizmente muito mais inspirado aqui) e o diretor Andy Muschietti utilizam muito bem o tema. Utilizam por um lado para chocar o público com um terror mais físico, real, já que são todos adultos e não se assustariam com qualquer coisa. Então aos fracos com sangue, fica o aviso de facadas a sangue frio, empalamento e outras coisas repugnantes. Também utilizam o trauma como artíficio de resolução em um dado momento da história, bem como na sua conclusão. Um respeito louvável ao autor Stephen King, que sempre incluiu temáticas relevantes ocultas em suas histórias. Aqui, ainda há outros temas como relação abusiva, homossexualidade, bullying, entre outros. Há ainda uma metalinguagem na figura de Billy, que se tornou um autor best seller mas que tem sua obra má adaptada em filmes, referência clara à Stephen King. Quanto aos sustos, eles estão lá, mas algumas vezes soando um pouco forçados ou fora de lugar. Um dos pontos que leva a isso é o uso de CG que chega a ser excessivo em certos momentos. E eu digo ainda mais, além de forçado e pouco convincente, acaba sendo desnecessário. Um desperdício do talento de Bill Skarsgård que encantou o público no primeiro filme. Aqui o ator continua incrível quando atua sem estar muito encoberto pelo CG. Note a cena de seu encontro com Bev em sua antiga casa. Ou com uma certa garotinha no estádio. Mas ele acaba sendo subaproveitado em momentos chave durante o segundo ato. Mas garanto a vocês que não estraga a experiência por completo. A longa duração do filme acaba não sendo cansativa, já que temos momentos de alternância entre o presente e o passado, ou seja, na linha temporal do primeiro filme. Assim, quem achou que na sequência sentiríamos falta do ótimo elenco mirim do primeiro filme pode ficar tranquilo. Inclusive essa alternância acaba sendo lindamente aproveitada durante todo o longa e chega a emocionar em muitos momentos. Mais uma referência para a obra de Stephen King que utiliza as crianças em situações de perigo em várias de suas histórias. Além disso, assim como no primeiro filme, a nostalgia de filmes clássicos com crianças corajosas em Conta Comigo, Os Goonies, Os Garotos Perdidos, entre outros. Ainda falando do roteiro, temos a resolução de vários mistérios apontados no primeiro filme tais como: “De onde veio A Coisa?”, “Por que ela fica na cidade de Derry?” e até mesmo “De onde surgiu a identidade de Pennywise, o Palhaço?”. E é isso. Quem gostou do primeiro longa, certamente não pode perder a conclusão de um filme que atraiu um grande público aos cinemas, que exceto nos blockbusters, é um fato bastante louvável. Também é de tirar o chapéu o carinho que os envolvidos tem pela obra de Stephen King, entregando dois filmes bacanas que tem a essência do autor, ao contrário de outras de suas adaptações. Aos fãs de King como eu, fica a expectativa de Doutor Sono (confira o trailer aqui), outra adaptação para as telonas que chega em 07 de novembro por aqui. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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