Assistimos | História de um Casamento da Netflix

Confira nossa análise completa do filme da Netflix

Neste final de semana resolvi conferir História de um Casamento da Netflix. O filme recebeu seis indicações ao Oscar 2020 que acontece no próximo dia 09 de fevereiro (confira a lista completa aqui). Também já levou o Globo de Ouro e Critic’s Choice Awards deste ano de Melhor Atriz Coadjuvante para Laura Dern. Creio que grande parte do sucesso do filme é porque o longa da Netflix traz um tema bastante comum: o divórcio. De acordo com dados do IBGE de 2017 para 2018 houve um aumento de 3% nos divórcios no Brasil, sendo que 46,6% da famíias tem filhos menores e 24% tiveram guarda compartilhada. Estes três dados vão de encontro à premissa do filme, em que o casal, Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson) decidem se separar. No entanto, o que deveria ser um processo simples e amigável se torna uma batalha judicial envolvendo os bens e o filho do casal, Henry. O casamento é uma das relações mais complicadas, em que duas pessoas, de criações, costumes e identidades diferentes decidem compartilhar a mesma vida. O diretor e roteirista Noah Baumbach consegue captar de forma interessante os aspectos da vida a dois. O filme começa com uma leitura de cartas que foram trocadas entre o casal que parece romântica a princípio, mas que se passa em um mediador no começo do divórcio. Ali o espectador já pode conhecer mais sobre os dois personagens e de sua relação, que se não era perfeita, era de grande intimidade ao longo dos anos. Aos poucos vão sendo revelados os motivos da separação, cujo ápice é uma cena intensa do casal discutindo. O roteiro também traz uma trama muito madura, onde apesar do casal decidir por não viverem mais juntos, ainda tem grande estima e afeição um pelo outro. Tudo isso é tratado de forma sutil, gradativa, sem grandes reviravoltas. Mas de forma alguma isso é cansativo. A direção de Baumbach é maravilhosa, valorizando os atores e o seu próprio roteiro. É incrível como tudo é pensado ali, a linguagem corporal, o posicionamento dos atores nos takes, e o ângulo certeiro da câmera, além de diálogos incríveis. Não é preciso ser expert de cinema pois tudo é muito perceptível. Veja como o casal não sabe como reagir quando estão juntos em um mesmo ambiente. Como cumprimentar alguém que o está deixando? Ou como evitar a exposição do filho ao conflito do casal? Em cada cena pode-se perceber a agressividade, a angústia, desconforto ou outros sentimentos naquele momento. Também é muito bacana a montagem de algumas cenas, a escolha do figurino e o posicionamento do casal. Um exemplo é a cena do metrô que escolhi para o topo da crítica, em que a barra divide a tela e o casal. Driver e Johansson estão maravilhosos em suas atuações e merecem as indicações às premiações. Me impressionou principalmente a atuação dele, pois só o conhecia por seu lamentável papel na recente trilogia de Star Wars. Outro aspecto interessante é o parelelo de Charlie ser um diretor teatral e a montagem que deixa o filme com a aparência de uma uma peça de teatro. A premiação de Laura Dern como atriz coadjuvante é bastante merecida. Ela interpreta a advogada de Nicole, Nora Fanshaw. Uma mulher moderna, independente, e bastante incisiva em sua profissão. Além dos ótimos diálogos, a atuação de Dern agrega paixão e vivacidade à personagem. Do lado de Charlie, Ray Liotta e Alan Alda interpretam os advogados Jay Marotta e Bert Spitz, que apresentam visões da lei e de vida completamente diferentes, agregando elementos interessantes ao desenvolvimento da trama. E para terminar minha análise, digo que apesar de ser um filme dramático, sobre um tema pesado, ainda há espaço para alguns momentos de humor nervoso ou pausas de suspense. Penso eu que o filme não deve afetar à todos da mesma maneira. Os mais jovens, sem muita vivência de relacionamentos amorosos podem achar inclusive cansativo. Aliás, se não ficou claro ainda vale reforçar aos desavisados que não é um filme romântico, como aparenta o cartaz. Pessoalmente, passei por um divórcio recentemente e evitei por algum tempo assistir ao filme. Mas de forma alguma me fez mal ou me trouxe sentimentos negativos. Como disse anteriormente o roteiro traz uma grande maturidade sobre o fim de uma história de duas pessoas. Ou ainda a importância das diversas formas de amor que se apresentam em relacionamentos. E enquanto seres humanos, somos seres sociais, e os relacionamentos, sejam amorosos ou outros, são inevitáveis. Assim, temos de aprender a lidar com os  bons momentos e os percalços que os envolvem, sejam eles quais forem. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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