Assistimos | His Dark Materials da HBO

Confira a nossa análise completa da série da HBO

E se você está procurando algo para assistir nesse final de ano preguiçoso temos mais uma grande série ao lado de Watchmen e The Witcher (confira nossas análises aqui e aqui). His Dark Materials da HBO é facilmente uma das melhores produções do ano. Baseada na série literária de mesmo nome, conhecida como Fronteiras do Universo por aqui que é formada por A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar, a série não só é uma ótima adaptação, mas também uma ótima sucessora de Game of Thrones no genêro de fantasia. A primeira temporada é baseada principalmente no primeiro livro, com algumas inserções de elementos do segundo. Mas vamos a história, e nossa análise não tem spoilers, então pode ficar tranquilo. His Dark Materials acompanha a jornada clássica do herói de Lyra Belacqua (Dafne Keen, encarnando mais um grande personagem feminino depois de Laura no maravilhoso Logan) em entender seu papel em um mundo dividido entre as trevas do Magisterium e a iluminação do conhecimento. A história começa quando Lyra é deixada aos cuidados da Universidade de Jordan por  seu tio Lorde Asriel (James McAvoy mandando bem em mais um ícone da ficção). A menina é criada pelos catedráticos da academia em um mundo majoriamente masculino. Lyra, muito curiosa, sempre almejou o conhecimento e tem a oportunidade de fazer quando deixa o seu pequeno universo levada pela misteriosa Ms. Coulter (Ruth Wilson). Antes de sua partida ela recebe o misterioso Aletiômetro, um dos pontos chaves da história desse universo, cuja função é sempre revelar a verdade. A partir daí começa uma trama recheada de mistérios e revelações, aliados e inimigos em uma dualidade incrível de sobrenatural e tecnologia.

Entrando nos comentários da série em si, a escolha do formato em oito episódios é um dos grandes acertos. Puderam investir um orçamento bacana em uma produção incrível e também evitar o cansaço do espectador. Chega a ser injusta a comparação com o filme de 2007, que teve um grande elenco mal aproveitado, péssimos efeitos e uma correria desenfreada para adaptar a obra original. Eu li o primeiro livro na época e não posso julgar o mérito, mas de acordo com amigos que conhecem a obra, a adaptação é bastante fidedigna. O elenco está excelente e bem a vontade em seus papéis. No elenco masculino, além de McAvoy, destacam-se Lewin Lloyd que interpreta Roger, o melhor amigo de Lyra, James Cosmo que interpreta Farder Coram, um dos gípcios, que são essenciais na trama, Ariyon Bakare que encarna o misterioso e sombrio Lorde Boreal e não menos importante Lin-Manuel Miranda como o aeronauta Lee Scoresby. Do elenco feminino, além de Ruth Wilson, que merece ao menos uma indição nas premiações da TV, temos Anne-Marie Duff como Ma Costa, uma verdadeira mãe para Lyra e Ruta Gedmintas, como a feiticeira Serafina Pekalla. E vale citar também o elenco dos animais. Os daemons, que são a alma dos seres humanos neste mundo, e que tem uma forma que é fixada a partir da adolescência, estão incríveis. Não só a interação com os atores é perfeita, diferente de outras produções similares, mas a sua participação é essencial na trama. Pois já que se tratam da alma dos humanos, o espectadores tem que ficar atento pois as expressões dos daemons representam o que eles estão sentindo. Um dos grandes destaques é o daemon de Ms. Coulter, um macaco dourado. Durante eventos que não revelarei aqui é visível o momento em que a mulher está completamente irritada, ou quando tem surtos de violência e vice versa, com a atuação magnífica de Ruth Wilson que por vezes parece o animal. Outro grande destaque é o panserbjorne Iorek Byrnison, um gigantesco urso polar, que é um dos guardiões de Lyra em sua jornada. Ao mesmo tempo que auxilia a garota, ele tem sua própria jornada de auto descoberta. Além de Iorek, muitos personagens tem que trilhar seu próprio caminho ao mesmo tempo que auxiliam Lyra voluntariamente ou não em seu próprio.

Dentre os temas da série, as trevas do Magisterium, que são um dos Poderes e uma religião retrográda, contra a iluminação do conhecimento da Universidade são o ponto central. Outro elemento importante é o , um material misterioso que é a grande busca de Lorde Asriel, que após deixar Lyra em segurança dedicou sua vida pesquisando pois acha que é uma das maneiras de derrubar a supremacia das trevas do conhecimento trazida pelo Magisterium. A série também traz temas universais como o Bem vs o Mal, a amizade, o amor, e a união das pessoas contra um inimigo comum. E fica o aviso aos pais, principalmente os que viram o filme de 2007, a série não é recomendada para crianças. Apesar de uma protagonista infantil, os temas abordados são bastante adultos. O tom da série é sombrio em sua grande maioria, e alguma cenas são pesadas, como o reencontro de Lyra com um dos garotos gípcios que se perde logo no primeiro episódio, Tony Costa, filho de Ma Costa. Ou as cenas de Lyra com Ms. Coulter e seus daemons. Outras situações tem uma sutileza tão incrível que serão melhor aproveitadas pelos adultos. Um exemplo disso são os daemons, que são criaturas rastejantes, vistas como maléficas, quando pertencem aos membros do Magisterium, voadores, seres livres, pacíficos quando pertencem aos gípcios que são o povo livre da história, ou a sua mutação constante de criaturas mais inofensivas quando pertencem as crianças, que justamente ainda não sabem seu papel neste mundo. Enfim, já me estendi por demais, mas é só para nosso seguidor ver por si mesmo que apesar da temática fantasia ter sido e ainda ser bastante explorada no cinema e na TV, His Dark Materials é realmente diferenciada e muito interessante. Uma vez que começamos a assistir é irrestível não maratonar até o final, ou para quem assistiu durante a sua exibição com apenas um episódio por semana, ficar aguardando ansiosamente o próximo. Aliás fecho minha análise por aí, que a HBO faz muito bem em exibir um único episódio por semana, no formato da era pré streaming, pois o espectador não cai na tentação de ver tudo de uma vez. Mesmo quem assistir a série somente agora pela HBO Go vale a pena ir intercalando com outras séries ou assistir aos poucos, pois a produção da emissora está de parabéns em todas as séries que assisti ou mesmo li análises por aí, em seu compromisso de qualidade. Fiquem ligados para mais novidades sobre séries, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

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