Assistimos | Fugitivos: primeira temporada

Vem conferir como foi a primeira incursão da Hulu no Universo Marvel

Após o anúncio da estreia da segunda temporada dos Fugitivos, que anunciamos aqui, resolvi conferir a primeira temporada da série. Apesar de ser produzida pelo serviço de streaming Hulu, a série já está disponível no catálogo do Netflix, que também foi um incentivo. Ao final do primeiro episódio, a série já tinha me pegado e aí foi maratonar até o final. E já começo dizendo, que na minha opinião, trata-se de uma das séries mais bacanas do gênero de super heróis para a TV. Sim, meus caros, Fugitivos vai além de uma mera adaptação dos quadrinhos para a TV, eu diria que considerando a primeira fase, em que se baseia a maior parte da série, é um produto até superior aos quadrinhos. Aliás, já falamos das hqs também, e se você quer saber mais, clique aqui e confira. Voltando a série já começo dizendo que ela criou uma identidade própria e uma série interessante não só aos marvetes, mas também a qualquer um que goste de ação, conspirações e ficção científica. Mas vamos por partes, para quem ainda não conhece, em Runaways, ou Fugitivos, como é chamado por aqui, seis jovens descobrem que seus pais são supervilões que fazem parte de um grupo chamado O Orgulho. Após a chocante descoberta, em meio a um sacrifício da vida de uma jovem, eles acabam formando um grupo, à medida que descobrem a si mesmos e desenvolvem seus próprios poderes. Cada garoto tem seus próprios poderes, sendo que alguns são muito interessantes e criativos. Alex é um rapaz com inteligência fora do comum, hacker e estratégico, Nico é uma bruxa poderosa, Karolina tem poderes baseados em luz, Gertrude ou Gert tem um elo telepático com um dinossauro chamado Alfazema, Chase é um garoto com habilidades atléticas e de engenharia. Basicamente, ele tem facilidade de inventar, como as suas luvas que lançam rajadas elétricas.

Agora falando da série, e pode ficar tranquilo pois os comentários terão no máximo spoilers leves, poderia dizer que a trama para TV segue basicamente o começo dos quadrinhos. Mas ao mesmo tempo tem alguns elementos originais que não descaracterizam os personagens, mas ainda tornam a série mais interessante. O foco nas mudanças advindas da adolescência em contraste ao desenvolvimento dos poderes é um dos pontos interessantes da série. Como exemplo, podemos citar Molly, a caçula do grupo, que apesar da aparência de menininha tem uma superforça descomunal. Nem os próprios amigos a respeitam como igual, até descobrirem que ela desenvolveu seus poderes. Além disso, ela está bem naquela transição de criança para a adolescência e além das mudanças usuais, ainda tem que lidar com a descoberta dos seus poderes. Falando em poderes, a caracterização dos mesmos, bem como o visual dos personagens é tão fidedigno as hqs em alguns momentos que chega a emocionar. Destaque para Alfazema, que apesar de não ser o melhor CG do mundo, funciona muito bem, e também para os poderes de Karolina. Vale ressaltar novamente que os mais exigentes vão perceber algumas mudanças, que depois de algum tempo se tornam naturais, devido ao envolvimento que a trama traz ao espectador. Também é diferente o final da primeira fase dos quadrinhos e da série. Os quadrinhos sofrem um mal chamado de interferência editorial. Quando li as primeiras histórias dos Fugitivos, achei muito bacana a idéia por si só, que era original. No entanto, ao final do primeiro arco, percebe-se claramente a interferência dos editores que mudam o roteirista (Brian K. Vaughn, um dos grandes nomes da atualidade) e dão um jeito de inserir os personagens no Universo Marvel regular, com aparições de outros personagens da editora, participação forçada em eventos, incluindo a Guerra Civil, o que levou a uma perda de originalidade e potencial grande história. Na série eles mantiveram o foco na relação pais e filhos tanto a nível vilão/herói, quanto na própria relação de autoridade. Isso cria um conflito muito interessante com questões do tipo “Puxa, meu pai é um vilão, está matando pessoas, fazendo coisas ilegais, mas ainda é meu pai, como vou mata-lo, ou prende-lo?”. O mesmo para o ponto de vista dos pais “Meu filho descobriu meus planos e tenho que elimina-lo, mas como vou fazer isso, sendo que ele é minha vida?”. Enfim, dizer mais seria spoiler. Portanto, se você está cansado do Universo CW da DC ou as próprias séries da Marvel produzidas pela Netflix, vale a pena conferir. Ou mesmo aqueles que gostam de uma trama envolvente fora do lugar comum.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

Comentários

comentários