Assistimos | Euphoria da HBO

Confira nossa análise completa desta série incrível da HBO

Euphoria, série original da HBO, chegou de mansinho com uma das substitutas aos orfãos de Game of Thrones, mas acabou surpreendendo pela sua qualidade. Como sempre a nossa análise não tem spoilers graves, exceto no final quando farei alguns comentários sobre as teorias, que serão avisados. Euphoria traz Zendaya (a MJ dos filmes do Homem Aranha do MCU) como Rue Bennett, uma história de vida complicada que não consegue se adequar a sua realidade. A garota perdeu o pai e acaba abusando das drogas para esquece-lo, bem como o difícil dia a dia na escola. A série começa com Rue voltando de um rehab após uma overdose. Eis que ela conhece a garota transgenêro Jules (Hunter Schafer). É quando Rue começa a acreditar na felicidade e no amor. Até aí, a história não seria tão inovadora. Mas a diferença é que Sam Levinson, criador da série, que baseou-se em uma série israelita de mesmo nome, foi inovador. Temas como drogas, traumas, auto conhecimento, mídia social, amizades, bullying, entre outros são recorrentes nas séries adolescentes. No entanto, assim como o recente sucesso da Netflix, 13 Reasons Why, o criador mostra uma realidade que na maioria das vezes fica oculta. A adolescência é um período complicado para todos os seres humanos. Uma fase de mudanças, de aceitação, de conflitos, de questionamentos e do futuro. Sam Levinson criou uma gama de personagens que traz todas estas questões, de forma corajosa, nua, sem o menor pudor. Antes do capítulo da série começar, há uma advertência para estes diversos temas fortes que serão abordados. Então aqueles que se incomodam com o uso de drogas, sexo, violência, depressão entre outros podem ficar longe. Mas o fato é que estes temas estão aí, e precisam ser mostrados até para alertas os pais, professores e outros que lidam com os jovens no dia a dia. O formato da série, que tem oito capítulos de sua primeira temporada, foi muito bem pensado. Cada episódio é focado em um personagem, com diferentes questões, mas sem esquecer dos demais ao mesmo tempo. O roteiro cria uma dinâmica incrível entre todos eles e seus conflitos. Esqueça os esteriótipos recorrentes em produções focadas em adolescentes. Aqui não existem bons ou maus, certos ou errados, com personagens em tons de cinza muito bem construídos. Todo o elenco está de parabéns e chega a ser triste como o talento de Zendaya foi desperdiçado em Homem Aranha. A atriz é incrível em passar do drama para a violência, passando por um breve vislumbre de alegria mudando sua atuação de maneira muito natural. Além dela, chega a ser difícil escolher um personagem preferido, pois todos são interessantes e tem sua importância na história. A cereja do bolo fica por conta da produção maravilhosa da série. Uma fotografia apaixonante que já nos conquista desde o começo da série. Tomadas incríveis para simular os efeitos das drogas, ou alguma fuga mental do personagem em momentos difíceis, ou alegres, festivos. Outro destaque é o olhar do diretor que consegue nos transmitir o que os personagens estão passando naquele momento em cenas perfeitamente montadas. A trilha sonora também é sensacional, incluindo uma música da própria Zendaya, que também é cantora, em um momento extremamente dramático no final. Atenção pois daqui para frente vão rolar spoilers e se você não quer estragar a surpresa, pare por aqui. Falando do final, está rolando na internet uma teoria bem furada que Rue teria morrido no final. Em nenhum momento fica evidente isso. A série termina com a partida de Jules e o coração partido de Rue, que usa drogas novamente para amenizar sua dor. Como antes desse momento ela estava sóbria, já é comprovado que mesmo o uso de quantidades pequenas podem por vezes levar à overdoses. Assim, o que provavelmente aconteceu foi isso e na próxima temporada saberemos qual foi seu destino (provavelmente outro rehab) bem como o do cliffhanger dos outros personagens. Igualmente foi mostrado no decorrer da temporada, o uso das drogas levou Rua à recorrentes alucinações. E portanto, a cena final em que ela começa a cantar a música é engolida por uma multidão trajada de vermelho, foi somente mais um momento visualmente incrível e poético, dentre os vários que rolaram na série. Ainda que o restante do elenco seja muito bom, dificilmente a série prosseguiria sem a sua protagonista. E como havíamos divulgado aqui, a série já foi renovada para uma segunda temporada. Agora é segurar a ansiedade até a chegada dos novos episódios desta série sensacional, que sem dúvida é um dos destaques do ano na TV. Fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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