Assistimos | Elite: primeira temporada

Elite é uma das séries teen mais faladas do momento. Confira nossa análise

Quando você se depara com as primeiras imagens de Elite, creio que é impossível não lembrar da novela mexicana Rebelde. Quando você assiste os trailers logo vem várias outras na cabeça, mesmo que você não seja fã do gênero, como Pretty Little Liars, Gossip Girl, The O.C., etc. Mas a verdade é que apesar de beber de todas  estas fontes, o Netflix acertou de novo, e criou uma série que vai te manter grudado na cadeira até o final. Com alguns atores de outro grande sucesso do Netflix, La Casa de Papel, a nova produção espanhola é algo que já vimos e ao mesmo tempo, fresco, interessante. Para quem não conhece, a série segue três jovens serem transferidos da escola pública para a escola Las Encinas, onde os filhos da elite estudam. Ao chegar lá e entrar em choque com os privilegiados da sociedade, ocorre um assassinato que inicia a trama. E claro que como sempre, não vamos entregar detalhes da história para que você curta a série tranquilo.

A série utiliza o recurso do flashback dos personagens, que estão sendo interrrogados sobre o assassinato, para contar a história do ocorrido. Ao mesmo tempo em que nos apresenta os personagens, suas motivações, suas personalidades. Acho que este recurso de duas linhas temporais, ainda que já tenha sido utilizado em outras séries, inclusive em La Casa de Papel, é uma escolha bastante acertada. O telespectador logo se identifica com os personagens, são comovidos ou os odeiam, para que, no mesmo episódio, ou nos próximos tudo mude. Os plot twists não são daqueles que viram de ponta cabeça a trama toda, como em How to Get Away with a Murder, mas sem dúvida são outro destaque da trama. Até o final, você pode elaborar sua lista de suspeitos e aquele personagem que parece que não tem motivação nenhuma, sem dúvida vai lhe surpreender.

Os mais conservadores talvez torçam o nariz para as temáticas de uso de drogas, homossexualismo, sexo, suícidio e aborto, mas que também não é novidade em séries juvenis faz tempo. Então se você se sente ofendido ou não quer se constranger, veja sozinho, ou evite a série, pois são temas recorrentes, mas na minha opinião de forma alguma gratuitos ou apelativos. A luta de classes, tema clássico inclusive na Literatura e História, é bem explorado. Mas ao contrário do esperado, onde os menos favorecidos sofrem mais, temos personagens em tons de cinza, que sabem se aproveitar da situação em ambos os lados. O elenco de atores, principalmente os jovens, está muito bem, ao contrário de outras produções do gênero. Difícil destacar somente um, pois todos tem ótimas atuações e o sua função dentro da trama. E creio que encerro por aqui para não estragar a sua diversão. Meu conselho é que evitem muitos trailers e informações na internet, um mal constante de nossa época e se divirta, sem aquele desespero de assistir tudo de uma só vez. Aliás, o tempo, um dos temas recorrentes da série, casa perfeitamente com uma série sobre jovens. Jovens estes que parecem cada vez mais acelerados conforme se passam os anos. Ou será que não é uma exclusividade da geração atual e sim da juventude em si? Viver intensamente todas as experiências que puder, antes que seja tarde demais, já que nunca sabemos quando é este tarde.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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