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A esperada sequência de Karate Kid está no ar. Mas será que valeu a espera? Confira com a gente

Já estão no ar pelo Youtube Red, todos episódios de Cobra Kai, série original do serviço de streaming pago da plataforma. Aqui no Brasil apesar da plataforma não estar disponível, os episódios da série estão disponíveis por R$ 3,90 cada. Mas não estamos aqui para falar do serviço e sim dessa série que é incrível! Mas voltemos um pouco no tempo ao ano de 1984. A década de 80 nos trouxe muitos clássicos em termos de música, games, desenhos, séries e filmes. E ainda chamam de década perdida… Dentre eles o icônico The Karate Kid (aqui no Brasil com o subtítulo A Hora da Verdade), longa que deu origem a série. E se você não assistiu meu amigo, pode parar por aqui e assistir. Daqui para frente rolarão spoilers do filme e alguns comentários gerais sobre a série. No filme original, Daniel Larusso (Ralph Macchio, por si só um ícone dos anos 80), um jovem de Newark, NJ acaba de mudar com sua mãe, Lucille (Randee Heller) para o Vale de São Fernando no sul da Califórnia. O jovem que se sente um peixe fora d’água na nova cidade, acaba fazendo alguns amigos e conhecendo Ali Mills (Elizabeth Shue, outro ícone da década), uma linda garota que se interessa por ele. No entanto, o ex-namorado de Ali, Johnny Lawrence (William Zabka, um mito, mais do que nunca) e seus amigos, todos estudantes de caratê, começam perseguir Daniel. Após uma perseguição o jovem é salvo pelo misterioso zelador do seu condomínio, o Senhor Miyagi (Pat Morita, eterno ícone e mestre). Disposto a ajudar Daniel a aprender a se defender, o senhor passa a lhe ensinar a arte marcial que lhe foi passada por seus antepassados. A partir daí segue a cartilha básica dos anos 80: jovem fraco fica forte, ganha a garota e derrota o mal. Eu assisti o filme pela primeira vez na TV em um domingo a tarde. Depois acabei gravando o filme em VHS (sim, eu sou um jovem senhor), comprando o original (também em VHS) e assistindo inúmeras vezes. E aí o nosso leitor pode se perguntar: mas por que toda essa nostalgia? Porque um dos pontos da série é justamente isso, a nostalgia e as lembranças das experiências de nossa vida.

Aqueles, que como eu que acharam que a série seria apenas uma forma da plataforma chamar a atenção, ou que é apenas uma comédia podem esquecer. A série apesar de ser pautada na nostalgia, também traz temas muito interessantes em um roteiro muito maduro e inteligente. A história começa no presente, 34 anos após a derrota de Johnny por Daniel no torneio de All Valley. Após a sua derrota e o fim do seu dojo, vemos como Johnny se tornou um loser, alcoólatra, que vive de pequenos bicos para se manter. Ele também teve um filho, com quem nunca teve contato. Eis que um dia surge Miguel (Xolo Maridueña), seu novo vizinho que vem perguntar para ele sobre o encanamento do prédio (uma das inúmeras referências ao filme original). Bastante amargurado Johnny lhe responde de atravessado e a situação passa. Acontece que Miguel está sofrendo do mesmo mal que Daniel no passado, o bullying pelos colegas de escola, por ser estrangeiro, novato e de classe baixa. Em uma noite, após um dia em que tudo deu errado, Johnny defende Miguel dos rapazes da escola utilizando o caratê que ainda está dentro dele. A partir daí começa a jornada de Miguel para o caratê e de Johnny em busca de sua redenção.

A série apresenta bons momentos de humor, mas sem ser forçado ou exagerado. E quanto ao Daniel-san? O rival de Johnny, vive o outro extremo de estilo de vida. Rico, bem casado e com dois filhos, ele abandonou o caratê e se tornou dono de uma loja de carros. Vivendo na mesma cidade, seria inevitável o encontro dos dois e o confronto pautado na rivalidade do passado. Dizer mais da história seria spoiler e estragar a experiência de nosso leitor. O que posso reforçar é que a série é bastante pé no chão. Além dos easter eggs que vão fazer muito marmanjo na casa dos 30, 40 anos como eu irromper em lágrimas, a série traz situações e temas bem atuais, que vão agradar a galera mais nova. Além do bullying, o excesso de informação e tecnologia, os jovens amolecidos por uma vida fácil, além da auto estima e a vida em si. Afinal o que estamos fazendo aqui e para onde vamos? Claro, que o caratê não poderia deixar de estar presente. Temos lutas muito bacanas, mas insisto em dizer que isso não é o principal da série. E claro, aqueles que se acham durões ou racionais demais devem passar longe. Ainda que a série se passe nos dias atuais, o roteiro propositalmente é a cartilha dos anos 80, mas isso não quer dizer que seja previsível. Ao contrário do filme original aqui não há heróis e vilões claramente definidos. No decorrer dos episódios você fica na dúvida se torce para Larusso ou Lawrence. Impossível não lembrar dos episódios da série How I Met Your Mother onde Barney reconhece Johnny como o “Verdadeiro Karate Kid”, contando com participações especiais do próprio Zabka na série. Os atores estão excelentes de volta aos seus papéis. Apesar de envelhecidos pelo tempo, você consegue ver claramente os dois extremamente a vontade. Há outras participações do elenco original muito bacanas. A trilha sonora é um show a parte, com hits da década de 80 que combinam perfeitamente com a história. E claro, que como é bastante comum hoje em dia já foi confirmada uma sequência. O ator William Zabka confirmou em seu twitter ontem que ainda não é o fim para ele e Larusso. Você pode conferir um teaser no twitter oficial da série clicando aqui. Termino dizendo que é uma série bastante viciante e divertida para os fãs do longa original ou aqueles que querem sair do lugar comum e assistir uma boa série.

Felipe

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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