Assistimos | Cobra Kai – Segunda Temporada

Confira nossa análise da segunda temporada de Cobra Kai

E chegou a hora de conferir mais uma temporada de Cobra Kai, série do Youtube Premium. Já começo minha análise dizendo que ao contrário de outras séries, em que há uma queda na qualidade após o sucesso da primeira temporada, Cobra Kai continua incrível. Para quem nunca ouviu falar sobre a série, trata-se de uma continuação direta da série de filmes dos anos 80, The Karate Kid. Você pode ler a nossa análise da primeira temporada, clicando aqui. Mas vamos começar pela sinopse oficial da segunda temporada:

“Cobra Kai pode ter vencido a batalha, mas a guerra apenas começou. Assista a Johnny Lawrence e Daniel LaRusso nesta segunda temporada treinando uma nova geração na filosofia do caratê. Mas o passado deles vai atrapalhar o que realmente importa?”

A seguir teremos spoilers da primeira temporada e alguns comentários sem spoilers da segunda temporada. Portanto se você ainda não assistiu a primeira temporada e/ou não quer saber absolutamente nada sobre a segunda temporada pare por aqui. A segunda temporada começa exatamente onde a primeira terminou. Após a vitória do Cobra Kai por Johnny Lawrence (William Zabka) e seus pupilos no Torneio de All Valley, eis que surge o sensei de Johnny, John Kreese, interpretado pelo ator dos filmes originais Martin Kove. Após um breve confronto verbal e físico, Johnny acaba permitindo o John a colaborar em seus ensinamentos. Enquanto isso, Daniel, estimulado por seu antigo rival e pela derrota no torneio reabre o dojo de seu antigo mestre, Miyagi-do, com seu único pupilo Robby (Tanner Buchanan) e sua filha Samantha LaRusso (Mary Mouser), que resolve voltar a treinar. Até aí teríamos uma série sobre adolescentes e artes marciais, que por si só já seria interessante. Afinal, o contraste da geração atual, imersa em tecnologia, com cuidados excessivos por muitos pais e a disciplina e os valores do Karatê já dão margem para roteiro para muitos episódios. Mas aí que se destaca a genialidade da série e de seus criadores, Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg que eram conhecidos no ramo da comédia pelo quarto filme de American Pie: O Reencontro e pela série de filmes stoner Harold & Kumar e também de Josh Heald, conhecido pela comédia, também nostálgica, Jacuzzi – O Desastre do Tempo. Eles utilizam a nostalgia dos anos 80, em choques culturais e temporais, na trilha sonora, bem como em referências à chamada década perdida, mas sem ser excessivo, como vem ocorrendo em outros seriados e filmes recentes que utilizam o mesmo recurso. Ao mesmo tempo, utilizam isto no roteiro, trazendo questões como crise de meia idade, choque de gerações, e apego ao passado. Também é de tirar o chapéu a quebra de maniqueísmo que existia nos filmes originais, onde Daniel era o herói, certinho, bom, e Johnny, o vilão, rebelde e mau. Aqui os personagens adquirem tons cinzentos, que entregam momentos incríveis de se ver. Daniel leva a sua obsessão pela rivalidade com Johnny e o apego ao passado longe demais, o que acaba afetando sua vida pessoal e profissional. Enquanto Johnny começa questionar os valores que está ensinando aos seus alunos, que acaba afetando a vida dos jovens. O lema do Cobra Kai: “Ataque Primeiro, Ataque Forte, Sem  Piedade” começa a ter consequências graves e a má influência do seu velho sensei, assim como o conflito da relação de mestre/pupilo gera um conflito na sua mente, levando-o a questionar sua própria vida. O elenco jovem continua mandando muito bem na atuação, além de Robby e Samantha, no lado do Cobra Kai, o destaque fica para Miguel (Xolo Maridueña) e Hawk (Jacob Bertrand). O primeiro, empoderado pela vitória do torneio, mas fragilizado por ter perdido o amor de Sam, vive um conflito dos ensinamentos do Cobra Kai e do que quer para sua vida. Enquanto Hawk mergulha de cabeça no vencer pela força e não pela mente, contrariando o nerd fragilizado pelo bullying escolar do começo da série. Ainda no Cobra Kai fica o destaque para Tori (Peyton List), uma das novas recrutas do dojo, seguindo a tendência recente no cinema e TV de personagens femininas fortes, mas sem forçar a barra. Para fechar a nossa análise, os fãs da série de filmes não vão se decepcionar. Além da nostalgia e referências à franquia e aos anos 80 já mencionadas, temos mais participações do elenco original dos filmes originais, e não somente como fan service, mas incorporadas de forma brilhante no roteiro. E é isso, entregar mais sobre a trama seria estragar a experiência de nosso seguidor. Mas se você já assistiu, sabe que vem mais por aí. Isso mesmo. Já foi confirmada a terceira temporada da série para 2020, e você pode conferir o teaser a seguir. No demais, fica a torcida que os criadores continuem mantendo a trama interessante, tanto para os velhos fãs, quanto para os que estão conhecendo essa franquia incrível agora. E fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries aqui mesmo no GamePlay RJ.

 

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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