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Confira nossa análise completa do reboot da franquia de terror

Destaque entre as estreias da semana nos cinemas, Brinquedo Assassino traz um reboot bem executado para uma franquia que há muito tempo se desgastou. Além de atualizar conceitos, o longa traz um subtexto incrível sobre a tecnologia e relações interpessoais. Como sempre pode curtir nossa análise, pois ela não tem spoilers. Mas vamos começar com a sinopse oficial divulgada pela Imagem Filmes, que distribuiu o filme por aqui:

“Mais que um brinquedo, ele é o seu melhor amigo. No dia do seu aniversário, Andy (Gabriel Bateman) ganha de presente de sua mãe, Karen (Audrey Plaza), o boneco mais aguardado dos últimos tempos. Altamente tecnológico, ele pode se conectar a qualquer dispositivo inteligente da Kaslan, empresa responsável por sua fabricação. No entanto, quando crimes estranhos começam a acontecer, eles passam a suspeitar que o brinquedo pode não ser tão inofensivo quanto parece.”

Começo minha análise dizendo que se você é purista muito extremista, espécie muito comum na internet de hoje, esse filme não é para você. O novo longa atualiza a maioria dos conceitos do filme clássico, a começar pela origem do personagem. Sai o ritual macabro entra a inteligência artificial. E como foi acertada essa escolha. Ao utilizar a inteligência artificial o roteiro constroi o personagem Chucky (voz de Mark Hamill, o Luke Skywalker de Star Wars) a partir do zero. Inicialmente pensando como uma criança, de forma ingênua, passando a aprender o que é certo e errado e fechando com uma total consciência disso, e claro, praticando o que é errado. A atualização dos conceitos também justifica totalmente a produção do reboot. O discurso da tecnologia excessiva na sociedade atual não é novidade, ainda que as pessoas não tenham aprendido. Outra temática, que ainda que não seja nova, é bem utilizada, é como a mesma tecnologia que evoluí cada vez mais afasta as pessoas. Note em certo momento do filme, uma certa mãe que recusa o convite da carona rotineira do filho para pegar um “Uber” sem motorista. Finalmente também vale citar a dependência que criamos da tecnologia ao mesmo tempo que ela se torna obsoleta muito rapidamente. Também chega a ser assustadora a invasão de nossa privacidade por essa mesma tecnologia que nos encanta. A nova versão do boneco Chucky também ficou muito bacana. Sai o boneco imóvel, que assustava com uma simples piscada, e entra o boneco com expressões faciais, que também é bastante aterrador. Continuam lá também os jump scares, mas sem serem excessivos ou pouco convincentes, bem como a furtividade incrível do boneco. Aliás essa furtividade é utilizada de forma bastante interessante no primeiro ato, quando Andy está conhecendo seu novo amiguinho. Por falar no “elenco de apoio” à Chucky, que rouba a cena facilmente, o garoto interpretado por Gabriel Bateman funciona até melhor do que o garoto da versão clássica, trazendo uma versão um pouquinho mais inteligente. Uma curiosidade interessante é que Gabriel já participou de outro grande sucesso do cinema recente, Annabelle. Os demais também ajudam a construir a história, ainda que recheado de arquétipos. A mãe-ocupada-e-ausente-que-a-compensa-com-presentes, o namorado-odiado-que-merece-morrer, os completos-estranhos-que-se-tornam-melhores-amigos, enfim. Lars Klevberg dirige muito bem, fechando ou abrindo as tomadas quando necessário. Além disso, cria cenas muito bem construídas e convincentes para o terror causado pelo boneco, seja pelos sustos ou nas mortes. E falando em mortes, aos fãs do gore, este também está presente e me surpreendeu porque nada é revelado no trailer. E acho que é isso. Dizer mais seria estragar a experiência de nosso seguidor. Vá de mente aberta, com pouca expectativa, mas com a certeza de uma produção bem construída, e diferenciada. Em uma época em que reboots, remakes, prequels e sequels já não são mais novidade, só isso já merece os cumprimentos aos envolvidos. E fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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