Assistimos | Bohemian Rhapsody

Confira nossa análise da filmografia da banda Queen

“Eu gosto de pessoas que vem de longe para um show do Queen sentindo-se completamente entretido, tendo se divertido. Acho que as canções do Queen são puro escapismo, como ir ver um bom filme – depois disso, eles podem ir embora e dizer que foi ótimo, e voltar para os seus problemas. Eu não quero mudar o mundo com a nossa música. Não há mensagens escondidas em nossas músicas, com exceção de algumas de Brian” 

Começo a análise de Bohemian Rhapsody, a filmografia da banda Queen, com uma frase do próprio Freddie Mercury, vocalista da banta britânica. Achei bastante adequada pois muita polêmica foi criada ao redor do filme dirigido por Bryan Singer (conhecido pela franquia X-Men no cinema, mas felizmente muito longe disso neste e outros de seus filmes), e escrito por Anthony McCarten. A começar pela escolha de Rami Malek para interpretar o vocalista. Eu mesmo estranhei um pouco a escolha do protagonista de Mr. Robot por sua pouca semelhança. No entanto quando começou a divulgação das fotos do filme e o primeiro trailer, o filme me deixou com uma boa expectativa. Outra polêmica é quanto a exploração da sexualidade do cantor no filme. O próprio Freddie disse certa vez que ele era o que era. Acho esta obsessão das pessoas, especialmente com o advento da internet, com a sexualidade e vida pessoal de outros, especialmente artistas bastante patológica. E já começo dizendo que o filme realmente traz isso de forma discreta, ou na minha opinião, bastante adequada. A filmografia é sobre o lendário artista Freddie Mercury e a formação da banda Queen, uma das maiores da história do rock. Ponto. Não é um filme baseado na sexualidade do cantor, ainda que não seja possível mencionar o assunto, o que o filme faz, e como disse, de maneira adequada. Para quem não sabia da existência do longa ou do que se trata, o filme mostra a evolução de Freddie Mercury e da banda britânica de rock Queen desde a sua formação até o show do Live Aid, a iniciativa beneficiente para arrecadar fundos para combater a fome na África que aconteceu em 1985 com shows simultâneos na Inglaterra e Estados Unidos, além de shows paralelos inspirados pela iniciativa em outros países.

E que filme incrível meus amigos. O roteiro consegue mostrar de forma bastante inteligente a transformação de Farrokh Bulsara, nome verdadeiro do vocalista, para um dos maiores artistas de todos os tempos. E leia com enfase a palavra artista. Freddie era muito mais que um vocalista, músico e compositor. E o filme explora bastante isso. A começar pela sua aparência, com seus dentes frontais evidentes, passando pelos seus maneirismos, que surgem logo na formação da banda Queen. A genialidade de Freddie ao ousar na música e em sua maneira de viver, em uma sociedade bastante conservadora, e quebrando paradigmas mesmo no estilo musical do rock, também é um dos pontos marcantes do roteiro.

E para quem torceu o nariz para Rami Malek, espero que se emocione como eu. Não sei ao certo se é proposital, mas no começo você vai provavelmente olhar aquele sujeito magrelo, dentuço, com roupas extravagantes e pensar: esse cara nem parece o Freddie. A transformação no visual e nos trejeitos do ator ao longo do filme são uma exponencial crescente, e no final você se esquece que está assistindo a um filme, e pensa que é um destes shows que vem sendo exibidos em nossas salas com certa frequencia.

A verossemelhança com Freddie, além dos outros atores com os membros do Queen, Brian May (interpretado por Gwilym Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joe Mazzello), é sensacional. É só conferir as fotos ao longo deste post mostrando a foto original e do filme (créditos e agradecimentos para o site Digital Spy). É impossível manter separados a carreira do Queen e de Fred, ou como eles dizem o tempo todo: “Nós somos uma família” e o filme dosa bem a história de Freddie e da banda.

Mas não pense o leitor que as costumeiras brigas nos bastidores das bandas não são mostradas. Afinal tratam-se de grandes músicos e de um dos maiores artistas da história e quando muitos egos estão juntos, é impossível o conflito. Também é mostrada durante o filme um pouco da história de cada um dos membros e de sua vida. Finalmente, logicamente as músicas clássicas da banda também estão presentes no filme. Primeiro, de forma incidental, mas ao longo do filme vemos o processo de criação de Freddie e da banda, especialmente da música título do filme, que é incrível, além de outros clássicos. Também vemos que no processo de composição Freddie utilizou muitos momentos de sua vida para se inspirar, como Love of my Life, dedicada a Mary Austin, grande amor da vida de Freddie. E para encerrar o assunto da polêmica, quem queria só ver isso passe longe da sala, mas a bissexualidade do cantor está lá, inclusive a sua relação com Mary Austin, que novamente nas palavras de Freddie sobre o assunto: “Todos os meus amantes me perguntam porque eles não poderiam substituir Mary, mas é simplesmente impossível. A única amiga que eu tenho é Mary e eu não quero mais ninguém. Para mim, ela era minha esposa da lei comum. Para mim, foi um casamento. Acreditamos um no outro, isso é o suficiente para mim.” E é isso meus amigos, acho que já me estendi demais sem estragar a sua experiência. Se você gosta do Queen, ou se você nunca ouviu falar de Queen e de Freddie, ou ainda, e especialmente, se você ama música e todo processo criativo por trás, aproveite o feriado e vá para os cinemas conferir esse, que para mim, é um dos pontos altos no cinema deste ano.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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