Assistimos | Ad Astra: Rumo às estrelas

Confira nossa análise completa do filme da Fox Film

Estreou esta semana nos cinemas brasileiros, Ad Astra: Rumo às estrelas, filme dirigido por James Gray e protagonizado por Brad Pitt da Fox Film. O filme traz uma história dramática de um astronauta em conflito com si mesmo em um futuro próximo onde as viagens espaciais são lugar comum. Mas antes de nossa análise, a sinopse oficial:

“Roy McBride (Brad Pitt) viaja para os limites do sistema solar para encontrar seu pai desaparecido e desvendar um mistério que ameaça a sobrevivência do nosso planeta. Sua jornada revelará segredos que desafiam a natureza da existência humana e nosso lugar no cosmos.”

Filmes sobre viagens espaciais e a fascinação do homem pelas estrelas e o desconhecido são recorrentes na história do cinema. Alguns tem uma execução brilhante como o ganhador do Oscar de 2014, Gravidade. Outros deixam a desejar ou são por vezes até cansativos. Infelizmente Ad Astra se enquadra no segundo grupo. O filme começa muito bem, mas acaba se perdendo em seu caminho e nos entrega um resultado final pouco satisfatório. A nossa análise não tem spoilers graves, mas terá alguns comentários. Se não quiser saber absolutamente nada, volte depois de conferir. O longa começa maravilhosamente bem com uma mensagem que o excesso de conflito na Terra nos fez voltar de vez para às estrelas. O primeiro ato com uma visita à lua é genial. Neste futuro do filme, às viagens espaciais fazem parte do cotidiano e aqui fica bem claro. Não vou entrar em detalhes para não estragar a experiência de nosso seguidor. Segue-se uma sequência de ação maravilhosa na lua. A fotografia de Hoyte Van Hoytema (de Interestelar e Dunkirk) é fascinante. É notável como ele conseguiu trazer um nível de detalhamento tão grande da superfície lunar. Junta-se a ele a equipe responsável pelos efeitos sonoros e você terá uma das coisas mais bacanas, diria até original, na história do cinema  deste genêro. Aliás, por todo o filme, estes pontos são o que valem à visita ao cinema para conferir o filme em toda sua grandeza. Além da paisagem, todos elementos que compõe a ambientação espacial, onde se passa quase 100% do longa, são maravilhosos. A gravidade, a ausência do som, exceto os sons abafados de um choque contra algo nos vôos, a percepção do homem diante de um universo que é infinito. Tecnicamente não há do que reclamar neste ponto. No entanto o roteiro acaba se perdendo em seus excessos para explorar temas, que sim, são extremamente relevantes e interessantes. Um dos temas é o conflito de Pitt com seu pai. Aliás vale destacar que na mesma semana temos dois filmes com conflitos de seus protagonistas com pais. E bem diferentes. O outro é Predadores Assassinos, que você pode conferir nossa análise aqui. Outro tema é o excesso de tecnologia que nos torna distantes cada vez mais. E o outro é o homem que se distanciou (e bota distância) procurando respostas, sendo que elas estavam bem embaixo do seu nariz o tempo todo. E neste caso bota distância nisso. E é aí onde se encontra o grande defeito do filme. Acaba se tornando um filme extenso, excessivo em querer entregar desesperadamente essas mensagens, o que o torna um pouco cansativo e não impactante. Muitos, senão todos estes temas, já foram explorados de forma muito mais interessante, em produções mais plenas, melhor executadas. E quando o longa chega em seu ato derradeiro nos entrega uma conclusão um pouco óbvia, simplista, sem deslumbre algum. Mas é um filme ruim? Não. Mas é o tipo de produção que não é marcante pela sua história e sim por sua produção e com certeza tem todo mérito de sua parte técnica. Quanto a atuação do elenco, Brad Pitt está sensacional como sempre. O ator nos entrega um Roy McBride completamente bege, apático, distante da humanidade. O diretor explora muito bem sua atuação em close-ups lindos, por vezes refletidos em um vidro, onde a atuação de Pitt não nos deixa olhar para aquelas paisagens desconhecidas para nós. Tommy Lee Jones que interpreta o pai de Pitt nos traz um astronauta completamente desapegado da humanidade absolutamente crível. Também vale o destaque para o veterano Donald Shuterland, que com 84 anos, continua incrível, em mais um papel bastante intenso. Termino minha análise dizendo que se você é fascinado pelo espaço como os personagens do filme, ou como este que vos escreve, vale a pena conferir no cinema este filme. Em tempos onde muitas pessoas perderam completamente a educação no cinema, foi incrível ver como houve respeito na minha sessão, em um silêncio maravilhoso acompanhando o da tela. O espaço ainda é fascinante e misterioso para nós e enquanto não chegamos neste futuro possível, há muitas boas histórias a serem contadas na ficção. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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