Assistimos | 3% – Segunda Temporada

A nova temporada de 3% já está no ar. Mas será que foi bacana? Confira com a gente

Já está disponível no Netflix a segunda temporada de 3%, série brasileira desenvolvida para o serviço de streaming a partir de um piloto lançado em 2009 no Youtube. Quando ouvi falar da série pela primeira vez, confesso que torci o nariz. Fã da franquia Jogos Vorazes, achei o plot muito parecido.  Para quem não conhece ainda, a série apresenta um mundo pós-apocalíptico, depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. A maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar miserável, decadente, onde falta tudo: água, comida, energia e outros recursos. Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas, e os coloca diante de dilemas morais. A primeira temporada se passa durante o Processo 104, e somos apresentados aos personagens e suas motivações. Do lado do Maralto temos o Conselho, onde membros mais velhos tomam as decisões administrativas, mas o personagem principal é Ezequiel, o líder do atual Processo. Ele que comanda a seleção e desenvolveu algumas provas. Do lado do Continente, desde o início somos apresentados aos personagens que são o foco da série, já que devido ao grande número dos ingressantes e dos poucos que restam seria inviável apresentar a história de cada um. Não vou me estender neste ponto e desde já recomendo que vocês assistam. Porque eu que achava apenas uma cópia de Jogos Vorazes me surpreendi bastante. Aqui não temos uma única personagem como a Katniss como foco principal, líder, etc. Todos personagens tem suas historias apresentadas em flashback, incluindo Ezequiel. Conforme as provas se desenrolam o espectador não torce mais por uma única pessoal. Cada um tem suas motivações e não existem heróis ou vilões e sim personagens em tons cinzentos. Outra diferença é que aqui o roteiro preza mais as relações humanas, critica a sociedade atual sem se perder em meio a clichês e batalhas cheias de efeitos. A inteligencia é a maior arma.

Agora vou falar um pouco sobre a segunda temporada e se você não viu a primeira, recomendo que veja e depois volte aqui, pois vão rolar spoilers. No entanto, não vou revelar detalhes sobre a temporada atual, então quem já viu a primeira pode ficar tranquilo. Como vimos ao final da primeira temporada Michele (Bianca Comparato) e Rafael (Rodolfo Valente) estavam a caminho do Maralto. Enquanto isso, Fernando (Michel Gomes) e Joana (Vaneza Oliveira) foram eliminados e voltaram ao Continente. Passou-se 1 ano e o Processo 105 está prestes a começar. Michele e Rafael, infiltrados da Causa, se habituaram a vida do Maralto, mas não conseguem deixar o seu passado e ideais para trás. Somos apresentados ao que aconteceu nesse ultimo ano através de flashbacks, uma otima solucao que economiza tempo e nos entregam episódios bem dinâmicos. Também somos apresentados a novos personagens, como Glória (Cynthia Senek), amiga de infância de Fernando e candidata ao Processo 105. O roteiro consegue amarrar todas subtramas e personagens de forma eficiente em uma temporada mais interessante que  a anterior. Sem entrar em spoilers,posso adiantar que muitos mistérios são revelados no decorrer dos episódios, tais como as origens do mundo atual, o Casal Fundador e mais sobre o passado do misterioso Ezequiel, pontos que deixaram a desejar na temporada anterior. O roteiro tem muitos plot twists e os episódios envolvem muita o espectador. Eu assisti em 2 dias a temporada toda que tem 10 episódios. Os efeitos especiais não são primorosos, mas funcionam bem. Fiquei muito feliz de ver uma serie nacional tao bem produzida. Destaco a cena da Procissão que ficou maravilhosa e não deve em nada a series internacionais, alem das ótimas cenas de ação. Também há uma mensagem politica bem discreta, mas sem exagero ou tirando o enfoque da trama distópica. E claro, fica um gancho para continuação, ainda que fique aberto. Enfim, para quem já gostou da primeira, ou para quem ainda não conhece, vale a pena aquela maratona gostosa no conforto de nossas casas dessa serie bacana.

 

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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