Assistimos | 1917

Confira nossa análise completa do filme da Universal Pictures

Estreou esta semana nos cinemas brasileiros o filme 1917, dirigido e roteirizado por Sam Mendes. O drama ambientado na Primeira Guerra Mundial é um dos favoritos ao Oscar 2020 com 10 indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor (confira a lista completa aqui). No Globo de Ouro o filme já foi premiado nas duas categorias e no Critic’s Choice venceu em três categoriasMelhor Diretor, Melhor Fotografia para Roger Deakins e Melhor Edição para Lee Smith. Como nosso seguidor verá durante o texto todas são justificáveis. Esta análise não tem spoilers e também fica a recomendação para fugir deles se quiser ter a experiência completa. Mas primeiramente confira a sinopse oficial de 1917:

“Em um dos momentos críticos da Primeira Guerra Mundial, dois soldados britânicos Schofield (George MacKay, de Capitão Fantástico) e Blake (Dean-Charles Chapman, de Game of Thrones) recebem uma missão aparentemente impossível. Em uma corrida contra o tempo, os soldados devem cruzar território inimigo e entregar uma mensagem que cessará o ataque brutal de milhares – entre eles, o irmão de Blake.”

Quem já conferiu minha crítica de Jojo Rabbit já sabe que não sou fã de filmes de guerra, mas na época do Oscar já é hábito conferir o máximo de indicados possível. Após ver o trailer e o resultado das premiações, algo me chamou a atenção do longa. E como me arrependeria se não tivesse assistido aquele que é sem dúvida um dos melhores filmes do ano passado. Na minha visão, a magia do cinema, em sua própria concepção, é nos transportar para aquele mundo e nos fazer esquecer de nós mesmos durante a projeção. E Sam Mendes, Roger Deakins, Lee Smith, o elenco e toda equipe envolvida na produção conseguem fazer isto de forma magnífica. Este trio acima nos leva literalmente junto dos protagonistas Schofield e Blake. A camêra começa junto dos soldados, como você pode conferir no trailer acima onde em um descanso das missões, eles são acordados por seu superior. Depois as lentes de Sam Mendes nos levam atrás dos soldados passando pelas linhas de batalha até o local onde seus destinos seriam mudados para sempre. Recebida a missão, perigosa, onde eles sozinhos teriam que passar pelas linhas inimigas alemãs para entregar uma mensagem, partimos junto a eles na jornada. E aí o filme começa a acelerar e alternar as tomadas, hora pelas costas, seguindo os rapazes e hora pela frente para captar as emoções do momento. Além disso, a partir do momento que entram no campo de batalha, entra a genialidade de Roger Deakins, que nos entrega uma fotografia lindíssima, quase uma pintura. Parece contraditório ser belo um cenário de tanta dor, mortes e sofrimento. E de fato é. Mas não deixa de ser lindo o uso de planos abertos mostrando todo este panorama, ou planos fechados mostrando um pouco mais da vida antes da guerra dos jovens corajosos. E se normalmente os filmes de guerra são cansativos, o trabalho de Sam Mendes aliado a edição de Lee Smith, com pouquíssimos cortes, imprime a sensação de urgência. Schofield e Blake tem praticamente menos de um dia para entregar a mensagem e impedir a morte de 1600 soldados. Além disso, os poucos cortes nos fazem acompanhar os soldados pelos mais diferentes ambientes sentindo o que estão passando. Terrenos acidentados, cadáveres, campos abertos sem cobertura, ambientes claustrófobicos, claros, escuros. Aos seguidores que são fãs de games de guerra e/ou tiro vão adorar, pois apesar de não ser o objetivo do filme, tem todo o clima de um jogo em primeira pessoa. Claro que nada disso funcionaria sem as atuações de George McKay e Dean-Charles Chapman que nos entregam as emoções naturalmente, em um roteiro onde não há tempo para muitos diálogos. E se por um lado o ritmo é acelerado, por outro é visível o cansaço, não só dos protagonistas, mas de todos com os que cruzam e o desgasta do mundo, já que em 1917, estamos a caminho do final da guerra. A época também é importante para a trama, já que os comandantes, após 3 anos de duras batalhas, estão todos ávidos pelo fim da guerra e a glória da vitória. E assim os soldados, sendo o patamar mais baixo da hierarquia militar, também terão que ter coragem de fazer cumprir a sua missão, enfrentando esta rigída estrutura. E termino minha análise por aqui. 1917 é cinema com C maiúsculo. É o tipo de filme que nos transporta para uma realidade bem diferente da nossa e nos deixa aquela ótima sensação de ter visto não somente um filme, mas ter vivido a experiência cinematográfica completa. E isso meus amigos, é uma de uma raridade cada vez maior. E neste sentido, independente do resultado do Oscar, este filme já é um grande vencedor. Fiquem ligados para mais novidades sobre filmes, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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