Assistimos | 13 Reasons Why – Segunda Temporada

A esperada continuação da história de Hannah Baker e seus amigos já está no ar. Mas será que valeu a pena? Confiram!

Já está no ar pelo Netflix a segunda temporada de 13 Reasons Why, uma das séries originais de maior sucesso do serviço de streaming. A nossa análise não tem spoilers da segunda temporada, mas se você não assistiu a primeira temporada recomendo que assista antes de ler, pois serão mencionados fatos da mesma. A segunda temporada começa 5 meses após a morte de Hannah Baker (Katherine Langford), onde os personagens seguiram com suas vidas. Clay (Dylan Minnette) está namorando com Skye (Sosie Bacon). Alex (Miles Heizer) está lidando com as sequelas de sua tentativa de suicídio que o deixou com movimentos limitados . Jessica  (Alisha Boe) ainda está traumatizada pelo estupro de Bryce (Justin Prentice), que segue sua vida como se nada tivesse acontecido junto aos outros atletas de beisebol da Liberty High. Parecia que a história por trás do suicídio de Hannah havia terminado, quando eles são intimados a depor no tribunal. Apoiada por um grupo de mães que perderam seus filhos por circunstâncias de bullying, a mãe de Hannah, Olivia (Kate Walsh) e seu pai, Andy (Brian d’Arcy James) decidem seguir com a ação. A temporada se passa durante este julgamento e desta vez traz o ponto de vista dos amigos (e inimigos) de Hannah desde sua entrada na escola até a sua morte. Confesso que ao final da primeira temporada não fiquei contente com a continuação e falta de conclusão de alguns pontos. Mas não resisti à curiosidade e comecei ver a segunda. E aí comecei uma maratona até terminar todos os novos 13 episódios.

Para começar digo que achei a segunda temporada superior a primeira, que em alguns momentos é bastante cansativa, pois se prende ao mesmo plot o tempo todo. A segunda se por um lado ainda traz como tema o suícidio de Hannah, não se prende a vitimização da personagem. Pelo contrário, assim como Clay, prepare-se para conhecer melhor a garota e se surpreender. Este é um dos pontos que mais gostei. A nova temporada mostra que Hannah não era tão perfeita e inocente como pensávamos. O mesmo acontece com os outros personagens que não são maniqueístas. Na verdade todos tem tons cinzentos e os motivos que o levam a ser como são e o que fizeram com Hannah são revelados. Esse é outro ponto que achei incrível. A segunda temporada amarra várias pontas soltas da primeira temporada e preenche alguns espaços de tempo que não foram abordados nas fitas. Por falar nas fitas, dessa vez temos misteriosas fotos polaroids, mensagens enigmáticas e pacotes que levam Clay e seus amigos em busca da verdade. E para os fãs da atriz Katherine Langford, não se preocupem. Ela está de volta a série em uma estratégia de roteiro bastante acertada e inteligente.

Apesar do bullying continuar sendo o tema principal, o homossexualismo, as drogas, bebidas, sexo e tudo que permeia as vidas dos adolescentes ganham espaço. Destaque também para a questão da violência contra a mulher, que é inserida na trama devido aos estupros de Hannah e Jessica mostrados  na primeira temporada. Eu que trabalho com jovens na minha carreira docente, acho a série muito realista em seu desenvolvimento. Apesar de se passar em outro país, traz situações e personagens muito próximos a nossa realidade. Também permitem a pais e profissionais como eu refletirem sobre a mente e a vida do jovem da atualidade. Aliás muito bacana a campanha da série de apoio ao adolescente em crise, contando com um site exclusivo que pode ser acessado clicando aqui. O site traz telefones de apoio para vários países do mundo, incluindo o Brasil, vídeos com os atores sobre os temas abordados na série e até um guia de discussão para os pais e profissionais sobre os temas abordados na série. 

O elenco está excelente, e se na primeira temporada ficamos principalmente com a visão de Clay, aqui todos ganham o seu espaço em atuações incríveis. Também temos novos personagens com destaque para Cyrus (Bryce Cass) e Mack (Chelsea Alden) que junto com Tyler (Devin Druid) criam um núcleo dos  personagens freaks e mostram a relação dos jovens com a música, mais especificamente do genêro punk, que tem em sua própria origem a rebeldia típica dos adolescentes. Também trazem um pouco mais sobre a relação do garoto com armas de fogo. E basicamente é isso, creio que me estender mais seria entrar em spoilers que estragariam a diversão de nosso leitor. Para finalizar, como um dos únicos defeitos da temporada é o mal recorrente da TV atual. A nova temporada poderia encerrar a série de forma emocionante e brilhante. Mas nos últimos minutos ocorre uma situação que leva a uma continuação que considero bastante forçada e desnecessária. Espero sinceramente que esteja enganado, como me enganei na segunda. Mas acho difícil, já que temos uma boa conclusão da história por trás da morte de Hannah Baker ao final dos episódios. No entanto, nada que estrague a diversão desta série incrível, que no mínimo tem o mérito de fazer o que muitas não conseguem, se superar a cada episódio. Agora é aproveitar esse friozinho, se enfiar embaixo das cobertas e maratonar do começo ao fim. E fiquem ligados para mais novidades sobre esta e outras séries aqui no GamePlay RJ.

Químico, pai e professor no mundo real, Felipe, vulgo Nerd sempre foi apaixonado por quadrinhos,cinema e TV. Também adora escrever e discutir sobre os temas nas horas vagas, o que o trouxe a GameplayRJ, sua morada na internet.

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