Assistimos | 13 Reasons Why – 4 Temporada

Confira nossa análise completa da série da Netflix

Estreou na última sexta, a quarta e última temporada de 13 Reasons Why da Netflix. A série chega ao final trazendo mais sobre os temas polêmicos do universo adolescente e um final que deve agradar aos fãs. Para quem não acompanhou a série, 13 Reasons Why é uma série original da Netflix baseada no livro de mesmo nome de Jay Asher, batizado por aqui como Os 13 porquês: Se você está ouvindo isso já é tarde demais. O roteiro da série foi adaptado e escrito por Brian Yorkey. A trama gira em torno de uma estudante que comete suicídio após uma série de falhas culminantes, provocadas por indivíduos selecionados dentro de sua escola. Uma caixa de fita cassetes gravadas por Hannah (Katherine Langford) antes de se suicidar relata treze motivos pelas quais ela tirou sua própria vida. A partir daí seguimos o protagonista da série, Clay Jensen (Dylan Minette) e o seu grupo de amigos entendendo as motivações da Hannah. Na segunda temporada temos o julgamento do culpado, o que trouxe um novo frescor para a série e a terceira a morte deste indivíduo, o que leva a uma nova investigação para saber o culpado. Pro se tratar da última temporada, esta análise tem duas seções, uma livre de spoilers, com comentários gerais e uma segunda seção que terá revelações sobre a trama das temporadas anteriores e da atual. Quando a quarta temporada foi anunciada, ela veio com um sentimento de pouco interesse. Quem havia assistido as temporadas anteriores já via que a história da série estava meio esgotada, arrastada. Como fã da série vejo que um dos principais motivos foi a escolha da Netflix de manter 13 episódios em todas temporadas. A primeira faz até sentido por conta das 13 Razões de Hannah, mas ainda assim fica meio arrastada próximo à metade da temporada. Já as demais ficam cansativas insistindo em informações já reveladas ou meio óbvias. Outra questão que tornou a série pouco atrativa é que o senso de moral dos jovens ali representados começou ficar cada vez mais distorcido e inevitável na terceira e quarta temporadas uma semelhança com a série How to Get Away with a Murder. A abordagem de temas polêmicos como estupro, drogas, bullying, entre outros é interessante, mas a forma como os roteiristas decidiram abordar se perdeu ao longo das temporadas. A série caiu na armadilha de manter sempre a necessidade de um novo mistério e de protagonistas que tomam decisões cada vez mais questionáveis. E por que assistir a série então? O fato é que a produção é muito competente. A trilha sonora, fotografia, e os cliffhangers aos finais de grande parte dos episódios induz o espectador a continuar assistindo. E ainda que seja abordado de forma errada em alguns momentos, são temas que precisam ser mostrados. Como professor a série me permitiu refletir o que alguns adolescentes passam nessa época de suas vidas de mudança, de definição de rumos e de pressão social. Acho que os pais que assistirem também devem ter essa impressão. Outro diferencial em termos de séries teen, algumas lamentáveis, que chovem aos montes na Netflix toda semana é o elenco. Dylan Minette chega ao auge em sua interpretação na quarta temporada, desabafando todas as questões que Clay acumulou ao longo da série. Seu elenco de apoio também tem uma interpretação muito bacana, por mais que os seus personagens por vezes tenham suas personalidades distorcidas em alguns momentos. Brandon Flynn também está excelente como Justin Foley e tem momentos muito dramáticos na última temporada, entre outros. Falando em personagens, um dos maiores problemas que vejo na temporada atual é a inclusão de novos jovens. Winston, Diego e Estela que deveriam conduzir o fio da trama na última temporada são realmente coadjuvantes e pouco acrescentaram a trama que continuou ao redor do núcleo central. Já a participação de Gary Sinise (CSY: Nova York, Forest Gump) como o Dr. Robert Ellman é um dos pontos mais interessantes da temporada, onde finalmente Clay começa a entender as suas próprias razões de ser assim. No geral foi uma temporada bem melhor que a terceira e que fecha muito bem a série, com direito à despedidas e participações especiais. Ame ou odeie, com erros e acertos, 13 Reasons Why é uma das melhores produções destinadas ao público adolescente da Netflix e vale ser assistida. 

A partir daqui estão liberados os spoilers. Se você não viu e não deseja saber sobre a trama da atual temporada e alguns detalhes das anteriores pare por aqui. Voltando ao ponto do trio que buscava justiça pela morte de Monty, são personagens completamente descartáveis. No começo da temporada cria-se um suspense que eles teriam provas contundentes sobre a armação de Clay e seus amigos para incriminar o jogador, que se perde. O foco fica na paranóia de Clay que chega ao limite e depois, mais ao final na morte de Justin, que é decisiva para que finalmente Clay entenda suas questões internas. Outro personagem que foi jogado para escanteio é Ani (Grace Saif), que era o fio condutor da terceira e que aqui acaba tentando trazer mais do mesmo. Outro ponto que me incomodou bastante é que Alex e Jessica saíram livres pela cumplicidade na morte de Bryce Walker, resquício da temporada anterior não resolvido, bem como o grupo todo na incriminação de Monty. Acho uma tremenda falta de responsabilidade da Netflix aceitar essa decisão dos roteiristas em uma série que tinha como proposta a divulgação de temas importantes aos adolescentes e responsáveis. No entanto, a presença dos fantasmas de Bryce e Monty atormentando todos culpados é sensacional. No sexto episódio em que temos uma simulação de um tiroteio, infelizmente bem comum nos EUA, temos uma bela cena com Clay tendo que confrontar os dois com ótimos diálogos. O episódio de baile, já característico da série também é muito bacana, e aqui vemos um Clay um pouco mais centrado. Ainda que a alegria não dure muito, pois ao final cria-se um drama final da temporada. A criação de muitos subplots, incluindo além dos já citados a questão do tráfico de armas e Tyler acaba deixando a trama muito dispersa e perdida. Acho que como todas temporadas a série sabe manter o interesse do espectador, com novamente uma queda na metade da temporada e um novo folêgo na reta final. E para fechar a análise, a participação dos personagens das temporadas passadas, Courtney e Ryan deixa aquele clima de despedida que todo fã adora. E claro, a esperada participação de Katherine Langford, que se por um lado é curta, funciona muito bem para fechar a série. Acho que independente dos erros, 13 Reasons Why ainda é muito superior às recorrentes produções adolescentes da Netflix que trazem tramas e personagens genéricos. A abordagem destes temas é necessária para a reflexão do que realmente estamos fazendo para auxiliar os jovens que serão a base da sociedade no futuro. E se por um lado a série traz poucas soluções para estes problemas, ao menos leva-se a discussão ou uma possibilidade de aproximação com os jovens. Encerro minha análise por aqui, torcendo para que a Netflix invista em séries com conteúdo como foi 13 Reasons Why e recomendando a todos que ainda não a conhecem. Fiquem ligados para mais novidades sobre séries, a qualquer momento, aqui no GamePlay RJ.

Comentários

comentários